Eu morava no Brás na Rua Brigadeiro Machado, esquina com a Uruguaiana, perto da Rangel Pestana. Eu e minha família – pai, mãe e seis irmãos. Em 1952 eu tinha 22 anos e, pelo menos, queria ver o saudoso carnaval de rua da Rangel Pestana. Não podemos esquecer que não havia muitas oportunidades de flertar com o sexo oposto naquela época, haja vista que moça-donzela não podia fazer quase nada, pois tudo era 'feio'! Pois bem, não adiantou nada pedir e chorar e insistir, pois meu pai não se comoveu. Já que meu pai não nos deixou (eu e minhas irmãs) dançar o carnaval na rua, ele resolveu nos compensar comprando pacotes de confete, lança-perfume e serpentina. Poderíamos então brincar o carnaval em casa, desde que cantássemos as marchinhas bem baixinho! Conformadas, cantamos e curtimos como pudemos…<br>Na quarta-feira de cinzas eu e minhas irmãs fomos rezar na igreja do Santo Antonio do Pari para nos perdoar a ousadia daquele carnaval tão abusado que passamos! Bons tempos aqueles (quando os filhos obedeciam aos pais).<br><br>e-mail do autor: [email protected]