Minha vida teve seu início em Nova Esperança, Paraná, filho mais novo de seis irmãos. Logo após meu nascimento, meu pai, apenas com a roupa do corpo, retorna à cidade do interior de São Paulo chamada Rancharia, perto de Presidente Prudente. Minha avó já estava doente e veio a falecer. Com isso, meu pai, não tendo condições financeiras, passou para adoção eu e minha irmã, que fomos morar com tias.
Quando me dei conta, já era o filho mais velho dessa nova família. Minha tia não engravidara na época, por isso me adotou quando eu tinha um ano de idade. Após dois anos, ela engravidou.
Meu tio, com todas as dificuldades, era um homem de coragem e muita perseverança. Seu objetivo era nos dar alimento e vestuário e o resto viria com certeza com o passar do tempo. Eles tiveram mais dois filhos, e agora éramos seis pessoas na família. Ele aprendeu uma profissão e entrou em uma das duas empresas da cidade: Estamparia e a Matarazzo, enquanto minha mãe trabalha em casa, como costureira e cuidando das crianças.
Quando dei por mim, já estava no primeiro ano escolar, com dificuldade. Tinha aulas de reforço com a professora na farmácia que ela possuía na cidade. Sentia-me uma pessoa muito feliz com o carinho que recebia dessa professora, Dona Maria José; e com esforço consegui passar de ano com nota 70! Lembro que me diziam que era pouco, que devia ter tirado nota maior; tais comentários realmente me entristeciam.
Quando terminou o ano, meu tio resolveu partir para São Paulo. Recordo bem da mudança, do caminhão com uma lona em cima veio na cabine. Primos e avós dando adeus para meu pai Miguel, seu cunhado Luiz e para mim. Minha mãe veio com meus irmãos de trem, no antigo Sorocabano; nem sabia onde iria dar aquilo tudo. Meu pai já estava com emprego certo no Papel Simão no Ipiranga, e fomos pagar aluguel no Jardim Independência. Isso no ano de 1970. Após cinco anos, meu pai conseguiu comprar uma casa e depois entrou na Mercedes Benz, onde trabalhou por 30 anos.
Foi uma vida cheia de conquistas e emoções. Aos 14 anos entrei para o Senai, fiz o curso de Eletricista de Manutenção; quando estava pra se formar, nos últimos três meses consegui entrar na Metal Leve. Isso se deu em 1978. Era tudo de bom! Alegria para meus pais. Permaneci na empresa por 13 anos, aprendi enrolamento de motores, comandos e eletricidade residencial. Formei-me no colegial técnico em eletrônica, consegui comprar uma casa e um carro no ano 1992, e com garra, paixão e muito esforço, cada dificuldade foi uma vitória.
São Paulo é algo maravilhoso, é amigo, é uma conquista. Costumo passear pelo bairro da Liberdade, Paulista, Vergueiro. O bairro da Aclimação é fascinante! Bairro do Ipiranga, tudo maravilhoso, tudo uma loucura. Não dá pra ficar longe de São Paulo. Porque São Paulo renasce a cada instante.
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