Noite de São João, baile em Eng. Goulart,
bairro do ramal da Central do Brasil.
Jorge Simbol, João Fiorito e eu.
Trem na Estação do Braz, 2 km. do lar,
dezenove horas, uma certeza ou ardil.
Sem saber, vamos para a estação, ô meu.
Quarenta minutos de viagem, com paradas,
la chegamos. Amigo do saudoso João
funcionário de banco, pro evento nos convida,
na certeza de boa festança, se comparada
com maçantes bailinhos de falso salão,
musiquinhas sem graça e sem comida.
Logo chegando, o ardoroso arrasta-pé,
aquece a fria noite de junho, e o quentão,
querendo ser mais vigoroso que a dança,
desce suavemente, como o esperado "mé".
Avançamos, os três, sem ter um "não"
das garotas, cuja beleza nos alcança.
Que gostoso, que beleza, que alegria,
vamos dançando a rancheira,
o baião, o samba e o sempre esperado
"Casamento na roça". Quanta nostalgia,
bebendo e comendo, macaxeira,
pinhão e churrasco, bem temperado.
Madrugada, noite adentro, sem trem
e sem ônibus; só de manhã, o das "sete,"
que vai passar na estação.
Gente boa, vendo a situação,
resolveram a festa continuar,
sem parar e, depois, de manhã,
com um bom café, a estação, nos levar.
Tudo isso não é farsa,
as testemunhas, Jorge e João,
morando com nosso Pai,
as únicas testemunhas, então.
Foi num junho, década de 40,
noite fria, de São João,
um baile sem nenhuma pretensão
que nunca mais esqueci,
guardo em meu coração.
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