Anos 50, os cinemas eram as coqueluches da cidade. A nossa Cinelândia era especialíssima. Eu me transformara em fã ardoroso do cinema e um dos meus gêneros favoritos eram os Musicais, as operetas da Metro, os filmes estrelados por Fred Astaire (Papai Pernilongo eu assisti mais de 12 vezes), Bing Crosby, Frank Sinatra, Dorys Day, Nelson e Janeth, Ann Miller e tantos outros nomes que por traição da memória não recordo agora. Sem falar das chanchadas musicais da Atlântida, com seus desfiles de incontáveis astros e estrelas da fonografia nacional.
Um dia, sem maiores pretensões, depois do expediente de trabalho cujo ultima tarefa era levar o malote da correspondência para a Matriz em Santos e entregá-lo no balcão do Expresso de Luxo que ficava na Avenida Ipiranga.
Cumprida a obrigação vinha eu subindo a citada avenida e ao passar na frente do Cine Ipiranga (suntuosa e chiquérrima sala de exibições cinematográficas da época e que ainda hoje resiste aos maus tratos dos insensíveis) vejo um grande anúncio que em letras garrafais emolduradas por incontáveis claves musicais exibia o título do filme em cartaz: em português NO BALANÇO DAS HORAS e no original ROCK AROUND THE CLOCK e um pouco mais abaixo informava a participação intensa de BILL HALEY AND HIS COMETS…
Lembrei-me então de ter lido notícias sobre o sucesso do filme por todos os lugares onde fora exibido, inclusive na nossa São Paulo. Li as notícias sobre as filas que se formavam às portas dos cinemas com pessoas sequiosas por assistir ao filme.
No início estranhei a pequena fila que se formava diante da bilheteria do Cine Ipiranga, mas lembrei-me que estávamos no final do expediente comercial de num dia de semana comum. Então resolvi aproveitar a oportunidade que me parecia única e assistir ao filme.
Comprei o ingresso, entrei e fui direto para a platéia onde poltronas confortáveis e com assentos móveis que acolhiam seus ocupantes sem lhes fatigar a coluna me esperavam. Sentei, apreciei a exibição do noticiário jornalístico (na época obrigatório em todas as sessões de todos os cinemas), assisti ao trailer do próximo filme e, pronto, começava o filme.
Fiquei, inicialmente, absorto com o ritmo das músicas, depois já mais descontraído comecei a sentir a música entrando por todos os meus poros, fui balançando o corpo no compasso dos Rocks que iam sendo apresentados por muitos ídolos internacionais, Litlle Richards entre eles.
Simplesmente ADOREI, tanto que assisti naquele dia as sessões das 18, das 20 e das 22 horas.
Cheguei em casa ainda flanando com as músicas ouvidas e deparei com toda minha família em total desespero, pois ninguém sabia onde estaria o Miguelzinho que nada avisara e estava com sua chegada mais de 4 horas de atraso.
Bronca merecida!
Prazer redobrado.
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