Por uma questão de viver pesquisando a proto-história de vários municípios do estado de São Paulo, pesquisar genealogia, acabei me interessando também em tentar descobrir a proto-história do Ipiranga; aliás, digo, especificamente sobre o bairro de Vila Carioca, por ter vivido bom tempo de minha infância neste bairro. Fato este que vou recordando de histórias, digito e insiro no São Paulo Minha Cidade.
Pesquisar sobre o bairro Ipiranga é uma tarefa fácil, porque na internet consegui muitas informações. Quanto a Vila Carioca, é preciso pesquisar em cartórios de registros de imóveis, daí é possível saber quem foram os pioneiros. Um dos lotes da Rua Albino de Moraes pertenceu ao Sr. Cuoco.
Sabemos que o bairro Vila Carioca foi se desenvolvendo com a vinda de imigrantes e migrantes de todas as partes do mundo, mais ou menos a partir da década de 50, quando foram vendidos muitos lotes de terrenos. É lógico que já boa parte do bairro era povoada.
Recordo-me que a partir das esquinas, isto é, da Rua Lício de Miranda/Rua Álvaro do Vale, no sentido da Rua Albino de Moraes, existiam muitos terrenos baldios, isso até a Rua Abatixi, de ambos os lados.
Compramos um lote na Rua Albino de Moraes e construímos a nossa casa de madeira. Do lado direito, tínhamos como vizinhos uma família de poloneses; do lado esquerdo, o Sr. Manoel Barreiros, de origem portuguesa; mais adiante, os fundos da Trambusti, empresa que fabricava cordas e derivados. O lado desta firma foi ocupado temporariamente pela família do Sr. João Cuesta, de origem espanhola; mais adiante tínhamos o Sr. Antonio, mais conhecido por "Nico Barbeiro".
Recordo-me do Sr. João sapateiro, que criava pombos-correio, e do Sr. Miguel, irmão mais velho do João sapateiro. Sr. Miguel trabalhava com transportes de cargas, tinha um GMC, que vivia dando partida por intermédio de uma manivela.
Falando do saudoso "Nico Barbeiro", ex-combatente, aconteceu um fato pitoresco com a família dele. O Sr. Nico Barbeiro esteve na Segunda Guerra Mundial, participando de combates na Itália, que finalizou em 1945. Os pracinhas retornaram ao Brasil, e não sei o local em que eles foram para serem recebidos pelas famílias (quem sabe seria em algum campo de futebol), mas o fato foi que a esposa e demais familiares se dirigiram ao local e nada do Sr. Nico. Enfim, a família deduziu que ele tivesse morrido em combate. Como não encontraram, retornaram para sua casa, todos cabisbaixos, enfim, perderam o patriarca.
Para a surpresa de todos os familiares, no momento em que chegaram a casa, encontraram o Sr. Nico dormindo tranqüilamente na cama. A sorte do Sr. Nico Barbeiro foi que eles deixaram a porta apenas encostada; na época não tinham muita preocupação com segurança, enfim, eles tinham costumes interioranos.
Tempos esses em que se podia deixar uma bicicleta em qualquer lugar, que os amigos acabavam levando-a ao proprietário.
Resumindo, foi um final feliz para a família do Sr. Nico Barbeiro. Perdoem-me os senhores leitores do site São Paulo Minha Cidade, o assunto virou uma miscelânea.
A pesquisa sobre a famosa Vila Carioca continua…
e-mail do autor: [email protected]