Nasci na Vila Ré, tenho 34 anos

Morei na Vila Ré de 1975, desde que nasci, até 1981. Fui para Vila União e lá estudei na Escola Exército Brasileiro, voltando para Vila Ré em 1987, fui estudar no Carvalho Senne e depois fui para o Deputado Silva Prado.

Eu morava na Prof. Vasconcelos Sarmento, antigo 113. Minha avó era Dona Eliete e meu avô, Sr. Lau. Eram muito conhecidos, pois minha avó tinha uma lojinha que vendia pipas, linhas, salgadinhos, balas, um pouco de tudo. E meu avô sempre quebrava o galho da mulherada arrumando chuveiro, ferro, enfim fazia de tudo um pouco. Ele alugava casa na Praia Grande e fazia excursões para Aparecida do Norte, “eles foram muito importantes para mim, mas infelizmente já faleceram”.

Fiquei feliz em ver o depoimento da galera, pois veio à lembrança tudo que passei na amada Vila Ré.

“Vamos lá:” tomei muito injeção no Toninho, da esquina da Néa com a Inhatumani e também na farmácia do Sr.Olavo, na Itinguçu, e era ele mesmo que me dava injeção, “DOIAAAAA” (risos)…..

Meu avô fazia fogueira na nossa rua e era a maior fogueira; na época tinha procissão na casa do seu Marcelino (eu ia só pra tomar licor, era tão bom…). Havia dois bêbados no Bairro, um era o Bolinha e o outro o Prega Fogo, eles eram muito divertidos.

Hoje, na Rua Néa, onde há uma fábrica de toldos, na época havia uma favela e eu e meu irmão Marcelo, meu tio Ivan, o Bila, as meninas e os meninos dali é que pegávamos madeira para fazer a fogueira, o que era muito legal. A rua era de terra, juntávamos toda a vizinhança e cada um levava alguma coisa. Ficávamos a noite toda brincando, comendo batata assada, pipoca e quentão.

Fui à Cris, ao Cinema Saturno… Minha tia Teça, o Mané, a Nice, a Téia, todos trabalhavam na antiga Hikari.

Adorava comer pastel nas feiras de terça-feira e de sexta, na Rua Municipal e que existem até hoje. Eu enchia o pastel de mostarda, que ficava até gordo, sujava toda a roupa e meu avô dava risada. Que tempo “MARAVILHOSO”.

Vocês se lembram do senhor que vendia sorvete nas portas, sempre com boné do Palmeiras? Ele dizia: “SORVETINHO, SORVETE”.

Eu também sempre ia numa loja que vendia bolos da Seven Boys, ia muito à Igreja Santo Antônio (meu primeiro beijo foi lá), ia tomar chope na Zurik (tomava chope com groselha) e também ao lava rápido do Betão, próximo à Vila Granada (tomei muita caipirinha lá).

Ficava vendo o tombo da galera, que descia de rolimã na municipal (vi cada tombo feio!). Fazíamos bailinho nas casas e colocávamos papel celofane na lambada para ficar um clima romântico.

Aí galera, um tempo bom que não volta mais. Eu amo a Vila Ré! Hoje moro na Penha, mas sinto saudade da Vila Ré. Quando vou lá, nos finais de semana, não deixo de passar na “FANI”, pois tem cada coisa gostosa! E na Padaria da Vila Granada então! Mas vou parar por aqui porque senão vai virar um livro. Um beijo a todos os novos e antigos moradores da Vila Ré.