Vi uma moça atravessando a Avenida Brigadeiro Luis Antonio, em agosto de 2010, e quase ser atropelada por uma moto em alta velocidade. Era uma moto militar que fazia parte de batedores de uma comitiva de dez carros oficiais; subiam a Brigadeiro em alta velocidade.
(Alta velocidade, não pode!)
Ela quase foi atropelada, pois as motos paravam os coletivos para a comitiva subir, pela faixa exclusiva na contra mão.
(Contra mão, não pode!)
As oito motos acenavam, aceleravam e, com as sirenes ligadas, faziam um barulho infernal.
(Barulho infernal, não pode!)
Estavam enfim tentando abrir caminho, de qualquer maneira, atrapalhando completamente o trânsito.
(Atrapalhando o trânsito, não pode!)
Todos aquele carros, novíssimos da Fiat com os vidros totalmente escurecidos.
(Vidros totalmente escurecidos, não pode!)
Subiam a Avenida Brigadeiro perto da Paulista, num modo barulhento, exigindo passagem, com os faróis altos acesos.
(Faróis altos acesos, não pode!)
Na maior velocidade e na traseira, duas ambulâncias do SAMU, pois poderia dar alguma encrenca, já que arriscavam a vida de muita gente.
(Arriscar a vida de muita gente, não pode!)
Ambulâncias que socorrem a população estavam designadas para correr atrás de autoridades, deixando a população sem atendimento.
(População sem atendimento, não pode!)
Todo mundo congelando e parando no tempo para que os carros novos da comitiva atendessem os candidatos, futuros donos do poder.
(Pessoal do poder… Opa, espera um pouco! Então pode. Para o nosso consolo é apenas uma fase passageira. Dura geralmente quatro anos, período entre as eleições. Sabe como é, época de eleições. Depois de novembro volta como antes. Depois esse povo eleito, acaba ficando mais tempo no exterior que no Brasil, em diversas viagens sucessivas importantes para a pátria, enfim, nos dando sossego novamente.)
Graças!
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