Conheci meu namorado, que hoje é meu marido, na faculdade. Ele fazia Engenharia Civil e eu Fisioterapia na PUC de Campinas, nós dois optamos por fazer natação, pois naquele tempo era obrigatório fazer uma atividade física, fazia parte da grade curricular. Como o Campus da PUC ficava distante do centro eu ia de ônibus e voltava de carona com o Gilberto, carona vai, carona vem, acabamos ficando muito amigos um do outro. Nossos amigos e amigas em comum já estavam torcendo para que nós começássemos a namorar. Tínhamos duas amigas de Odonto que ficavam armando situações para que isso ocorresse. Até que um dia uma delas falou para o Gilberto me convidar para um cinema. Nossa amizade já durava um ano.
Fomos assistir “007 Contra Goldfinger”, assistimos ao filme todo e nada. Ao terminar a sessão nos levantamos para sair e pasmem: um saiu para um lado do cinema e o outro pelo lado oposto. Pensei comigo: “esse cara não quer nada comigo não”. Bom, lá fora estava chovendo e só eu tinha guarda-chuva, então saímos abraçados. Em Campinas morava junto com minha Tia Ercilia, meu primo Nenê, minha prima Anibia e seu marido, voltava todo final de semana para São Paulo. Quando chegamos em frente a casa da minha tia ele fez a declaração de amor mais inusitada até hoje, ainda não vi nada igual: Como um homem de exatas (engenheiro) ele começou: “Julia você conhece aquela regra de sinais na matemática: em que o sinal de – (menos) ( negativo) x outro sinal de – menos (negativo) dá positivo?”
Diga-se de passagem, que sempre fui péssima em matemática, mas essa regra eu conhecia. Aí ele começou: “Eu não quero namorar com você, porque não tenho nenhuma afinidade contigo, porque não gosto de estar junto de você” e por aí foi, ao final ele disse: “Agora, passa tudo para o positivo”. Isso foi em 20 de março de 1975. Nem preciso falar que naquela noite eu nem dormi de tão feliz.
Minha formatura foi primeiro, em 1976, e logo voltei para Sampa procurar emprego e trabalhar; 1º emprego como fisioterapeuta foi no Hospital Presidente, no Tucuruvi. Era uma viagem: saia do Ipiranga, de ônibus, até a estação Santa Cruz, pegava o metrô até Santana e outro ônibus até o Tucuruvi. O Gilberto continuou até 1978 fazendo o curso de engenharia. Nossos encontros toda semana, de 15 em 15 dias, eu ia para Campinas e de 15 em 15 dias ele vinha para São Paulo, alternadamente. Ele morava na travessa Abolição na Bela Vista-SP, e em Campinas morava com uma irmã dele, a Zenaide.
Em janeiro de 1979 ele me pediu em casamento, já estava trabalhando em Orlândia – SP, na duplicação da Rodovia Anhanguera. Casamos na igreja Santo Agostinho, da Vergueiro. Minha irmã Líbia me levou no carro dela, um Maverick azul metálico muito bonito. Após a cerimônia e a recepção, que foi no salão da mesma igreja, a Líbia nos levou para trocarmos de roupa para a viagem no apartamento dela, na Vila Mariana, enquanto ela deixava meus pais no Ipiranga, onde nasci. Subiu conosco meu sobrinho de oito anos de idade; ele quando recorda não se conforma que nós dois, eu e o Gilberto, ficamos esperando a Líbia chegar jogando dominó com ele até tarde na nossa noite de núpcias. Ele morre de rir dessa situação.
Com essas e com outras já estamos juntos há 33 anos e ainda somos grandes amigos e nos gostamos muito.
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