Na minha infância (1947/1955) morei na Rua Vasconcelos Drumond que está situada nas cercanias do Riacho do Ipiranga. Próximo ao Monumento da Independência havia uma ponte sobre o riacho e numa outra um pouco mais à frente uma comporta que era fechada, de quando em quando, represando as águas, assim, quando aberta, a força das águas promoviam a limpeza do rio Tamanduatei levando os detritos embora. Quando a comporta era fechada as águas do riacho subiam e formavam uma lagoa e os moleques da redondeza iam nadar pelados próximos à primeira das pontes. Era uma farra!
Na época minha família tinha um cachorro pastor alemão que metia medo nos moleques. Sabendo disso eu mais alguns amigos, cientes que os moleques que estavam nadando no riacho deixavam suas roupas em suas margens, levamos nosso cachorro para o local e o atiçamos em cima deles que nadavam nus obrigando-os a sair da água. Nada mais constrangedor! Saíram da água e não conseguiram chegar próximos às suas roupas, pois o cão investia sobre eles. Imploravam para tirá-lo dali e nós e as pessoas que passavam ficávamos rindo da desgraça alheia. Coisas de criança! Por fim, depois de muita risada de nossa parte e pedidos desesperados dos "nadadores" prendemos o cachorro e o levamos embora. Nossa arte foi motivo de muita conversa em nossa turma, durante muito tempo, mesmo depois que todos se tornaram adultos. São lembranças de uma cidade que não existe mais.