No último domingo fui à Panificadora Larsol para adquirir 1 litro de leite e os pães para o lanche da noite. Os frequentadores são quase sempre os mesmos. Enquanto esperamos o atendimento vamos entabulando conversações sobre política, futebol, fazendo piadas e gozações com os atenciosos balconistas da panificadora.
A fornada de pães ainda não havia chegado nos cestos e a atendente nos informou que haveria uma demora de 10 minutos. Enquanto aguardávamos, formamos uma rodinha no balcão e começamos um alegre bate-papo focando vários assuntos, quando alguém da turma lembrou do tempo em que se podia ir ao cinema com a família no bairro e no centro da cidade, e as matinês aqui no bairro do Ipiranga.
Assim cada um foi lembrando de um cinema e um filme que deixou saudades. Foram citados vários títulos: Cine Comodoro, na Av. São João, com o filme "As Sete Maravilhas do Mundo"; Cine Itapura, na baixada do Glicério, com o filme "Assim Estava Escrito", com Lana Turner, Kirk Douglas, Walter Pidgeon e Dick Powel; Cine Ópera, na Rua Dom José de Barros, com o filme "Ticonderoga – O Forte da Vingança" em terceira dimensão; Olido, no Largo do Paissandu, com o filme "Tarde Demais Para Esquecer", com Cary Grant e Deborah Kerr; Cine Clímax, na Rua Espírito Santo, na Aclimação, com o filme "Da Terra Nascem Os Homens", com Gregory Peck e Jean Simons; Cine Alhambra, na Rua Direita, o filme "Deus lhe Pague", com Arturo de Cordova…
Aqui no Ipiranga tivemos os cinemas: Anchieta, Samarone, Paroquial, Pedro I, Monumento, Soberano, Maracanã e Ipiranga Palácio. Em 1953 o teto do Cine Anchieta desabou após a última sessão da noite, os filmes exibidos eram "Tarzan e a Fúria Selvagem" e "Bambi". Felizmente o fato ocorreu 2 horas após a sala já estar fechada. A reinauguração se deu em janeiro de 1954 com o filme "Canção do Sheik", com Kathryn Grayson e Gordon MacRae. O Cine Samarone foi inaugurado com o filme "As Chaves do Reino", com Gregory Peck, e encerrou suas atividades em 1969 com o filme "Perigo á Vista", filme brasileiro com Agnaldo Rayol. O cantor ficou na sala de espera dando autógrafos aos espectadores. Não preciso dizer que foi uma loucura com as meninas todas rodeando o Agnaldo!
Um dos mais velhos da turma ainda citou o Cine Trianon e lembrou do filme "Eles se Casam com as Morenas", com a Jane Russel. Antes dos pães chegarem quentinhos ao balcão, ainda lembrei quando no Paroquial assisti o filme "O Ébrio", com Vicente Celestino e Gilda de Abreu. Nesse filme a cena mais emocionante foi quando o Vicente está na mesa do boteco, já tomado pelo álcool, quando chega a Gilda, abatida e desgrenhada para pedir perdão pela traição; ele então lhe dá o perdão, ela imagina que vai haver uma reconciliação e voltar aos velhos tempos mas ele então diz: "eu disse que perdoava, mas não reconciliava". O filme termina com ela saindo pela porta afora.
Chegou minha vez e encerramos o agradável momento de recordações de um tempo que não volta mais!