Existem, existiram e existirão muitos vôs chamados Mário no “mundo de língua portuguesa”, mas nenhum como o nosso vô Mário.
Era a própria alegria. Brincava o tempo todo, com tudo. Teve uma vida feliz, claro que com algum sofrimento também, inclusive conviveu com o mais duro de todos os sofrimentos humanos, mas isso agora não vem ao caso. Ele se foi e levou consigo um tempo bom que não voltará nunca mais.
Era filho do Urias, de Ubá com passagens por São José da Garrucha, e quem conheceu o velho Urias dizia que “era uma bola”, no sentido antigo: engraçado, gozador. Vô Mário tinha a quem puxar.
Nasceu em 1924 – passou por todos os grandes acontecimentos históricos do século XX sem que nenhum deles o afetasse. “Eu ouvia falar de guerra, de copa do mundo no Maracanã, mas isso para mim tinha pouca importância, precisava era pôr as coisas para dentro de casa, então deixava o pau quebrar lá fora”, essa era sua maneira de explicar aos netos curiosos a sua visão de História Geral. Viveu à sua maneira, sempre com o Barbosa, um canivete, por perto para “topar e aguentar qualquer parada” (de verdade, nunca brigou com ninguém, nunca disse uma palavra áspera).
Tinha uma maneira repetitiva de contar causos, suas histórias (conhecidas “de cor e salteado”) eram sempre novas porque ele era sempre novo em sua maneira de contar. Ah! Vô Mário (ou Pavão, como os amigos da Vila Vitória o chamavam) que há tantos anos saiu de Ubá / Tocantins – MG para enriquecer São Paulo, agora morreu e nesse dia, 30 de novembro de 2013, deixou o mundo muito mais pobre, mas Deus entendeu tanta ternura e, poupando-o de sofrimentos, o levou como se leva um passarinho.