No início dos anos 1950, eu não conhecia o nome Moema. Para todos o nome do bairro era Indianópolis, não sei por que cargas d’água Indianópolis ficou sendo somente a Avenida. Eis que de repente ali ficou sendo o bairro Moema.
No início dos anos 1950 a prefeitura, para homenagear a raça Árabe, trocou o nome da Avenida Indianópolis para Rua República do Líbano. Houve uma revolta do povo que tirou as placas jogando-as fora. Depois, através de um acordo entre moradores e prefeitura, esta avenida ficou com os dois nomes. República do Líbano até a Avenida IV Centenário, continuando como Avenida Indianópolis.
Mas, a principal via de Moema já era a Avenida Ibirapuera. Com suas pistas divididas por uma “canaleta” por onde passavam os bondes que vinham do Largo Sete de Setembro (Liberdade) indo até a Avenida Adolfo Pinheiro (Santo Amaro). Até 1972, a Avenida Ibirapuera ficou com esse nome de "cabo a rabo". Mas, com a morte do Zé da farmácia, (José de Oliveira Almeida Diniz) foi dado seu nome a uma parte da avenida a esse grande benemérito que foi o homenageado.
Zé da Farmácia era conhecido por ser um farmacêutico benemérito, foi candidato a vereador por muitas vezes, representando o bairro de Santo Amaro, e perdia todas as eleições que concorria. Era muito amigo de Roque Petroni Junior, também farmacêutico, dono de uma humilde farmácia na Vila Cordeiro (Brooklin Velho) a Farmácia Nossa Senhora Aparecida.
Ambos tinham o mesmo ideal: estar sempre ao lado das pessoas necessitadas. Além de Zé da Farmácia e Roque Petroni, também Roque Petrella, que era médico, se integrou aos dois, formando um trio da filantropia, que aos domingos iam de casa em casa ver como estavam aqueles moradores que tanto consumiam seus produtos.
Porém, em outubro de 1972, José de Oliveira Diniz, o Zé da farmácia, candidatou-se novamente a vereador e desta vez ganhou, mas em janeiro de 1973, dois meses antes de tomar posse, "Zé da Farmácia" veio a falecer quando estava trabalhando em sua farmácia no bairro Santo Amaro.
Em homenagem a esse grande benemérito a Avenida Indianópolis passou a ter o nome original do Zé da farmácia, José de Oliveira Almeida Diniz, a partir de um determinado setor, dando prosseguimento a Avenida Indianópolis.
O bonde Santo Amaro foi "o último dos moicanos". Ele, que passava pela Avenida Ibirapuera, teve seu último trajeto em 1968, tendo como passageiro ilustre o prefeito Faria Lima. Apenas ele resistia às demais linhas de bondes, que já tinham sido retiradas de circulação.
Nessa confusão, Moema-Indianópolis, havia dois lados a saber: uma parte tinha denominações de Pássaros e outra de Índios. O povo costumava dizer Moema Pássaros e Moema Índios. E o nome Indianópolis foi sendo esquecido e esse nome ficou na memória do povo apenas a Avenida que tem seu início próximo à Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, beirando a cerca do Parque Ibirapuera.
Eu, como estudante, normalmente tomava o bonde na Liberdade (Largo Sete de Setembro) e descia na Avenida dos Eucaliptos para ir ao Brooklin. Ali, tinha a denominação de Vila Helena e bem em frente tinha a Fiação Indiana, uma enorme fábrica de tecidos, terreno onde hoje se situa o Shopping Ibirapuera.
Já que falamos em Avenida dos Eucaliptos, essa via era conhecida somente na boca do povo porque, oficialmente, ela não existe. No registro da prefeitura consta o nome oficial Rua João Castaldi. Veja o exemplo: se alguém perguntar onde fica a panificadora Empório Santa Marcelina todo mundo vai dizer que é na Avenida dos Eucaliptos. Mas, ao verificar o cupom fiscal verá que a razão social consta Rua João Castaldi.
São coisas dessa grande cidade que, desde criança, ouvi dizer que cresceu desordenadamente. Outra rua que, por muito tempo, não havia uma denominação oficial era onde eu morei de 1951 a 1986. Ela beirava o córrego da Traição e toda a sua extensão, por isso o nome que o povo deu a ela era "Avenida da Traição", aproveitando o nome do córrego. Porém em 1970, quando o córrego começou a ser canalizado e por cima dele ficou sendo uma Avenida, seu nome passou a ser Avenida dos Bandeirantes, da barranca do Rio Pinheiros até o bairro do Jabaquara em uma extensão de cinco quilômetros.
Mas, muitos encontros de namorados anos atrás eram marcados no bairro de Moema, em frente à Igreja de Nossa Senhora de Aparecida ou então defronte ao prédio dos Brindes Pombo, pouco antes da igreja. Só não ia quem estava a fim de dar "um grupo" a quem estaria esperando. Porque desculpa de que era difícil de achar, ninguém engolia.
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