No primeiro domingo de 2012, pesquisando para a minha futura “Historia da Gastronomia Paulistana,” conheci um restaurante, que segundo um guia antigo é uma churrascaria coreana, localizada na tradicional Rua Galvão Bueno.
Ao chegar defronte ao endereço a primeira surpresa, o 451 é uma construção majestosa, em tons cinzentos, que lembra um pagode chinês, que em seu subsolo comporta um estacionamento.
O piso do restaurante esta alguns degraus acima do nível da rua. Vencida a escadaria fui recebido por um gentil garçom que me informou que posso me servir à vontade no bufê e que as carnes oferecidas estão sem cozimento, porém já temperadas e devem ser preparadas num fogareiro a gás instalado nas mesas.
O primeiro impacto foi o de surpresa, O espaço é bem grande, um papel de parede em tom cinza carregado cobre as paredes laterais do salão que tem um alto pé direito. Mesas com tampos de fórmica formam conjuntos que comportam de seis a oito comensais na horizontal, no teto negro luminárias mantêm o ambiente a meia luz. Na lateral esquerda um longo balcão é ocupado por dois “sushi men”. Ao fundo uma parede envidraçada separa a cozinha do salão, no centro um bufê bem cumprido expõe as especiarias frias e quentes. O salão devia comportar pelos meus cálculos de 150 a 200 pessoas.
Já refeito da surpresa inicial fui ao bufê, Fui impactado por uma travessa forrada de gelo que oferecia maravilhosas ostras fresquíssimas, servi-me da primeira meia dúzia. As ostras afinam meu paladar. Em seguida fui para os sushis e sashimis bastante corretos. Voltei ao bufe e cheguei aos camarões fritos e mariscos cozidos, servi-me ainda de um missoshiro. Mais uma investida e provei um pastel cozido e uns bolinhos diferentes. Nova investida e fui de yakisoba.
Então tomei coragem para apanhar as carnes que devia assar pessoalmente. Os cortes são apresentados no bufe sem identificação. O garçom consultado informou laconicamente, bacon, porco, cupim – são perto de oito carnes variadas. Fiz as escolhas às cegas e fui para a mesa, onde o garçom acendeu o fogareiro. Coloquei as carnes na chapa e esperei que ficassem assadas.
Em geral o tempero é ligeiramente adocicado e o bacon acentuadamente picante. Para quem come os assados de nossas churrascarias as ofertas são estranhas e ligeiramente insossas.
O bufê apresenta ainda uma grande variedade de legumes cozidos e curtidos, vários tipos de arroz e algumas coisas que não soube bem identificar. Provar um pouco de cada coisa é uma aventura quase impossível.
Comi como um glutão. Gostei do que provei. As ostras, sozinhas, fazem jus ao custo beneficio. O preço da refeição foi de R$ 35,00. Normalmente pagaria algo parecido pelas 12 ostras que comi.
O movimento era pequeno. A grande maioria dos clientes era oriental. Ao pagar a conta fico sabendo que o nome do lugar é simplesmente “Restaurante Galvão Bueno” e que sua especialidade é cozinha japonesa, chinesa, coreana.
São Paulo é mesmo surpreendente em sua variada gastronomia.
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