Minha primeira impressão de um apartamento

Nasci e me criei no interior. Meus irmãos mais velhos já tinham se mudado para São Paulo, em busca de melhores trabalhos.
Assim que minha irmã mudou-se para um apartamento (antes morava em uma pensão)nos avisou, convidando para irmos conhecer o local.
Eu acredito que tinha uns sete anos mais ou menos (1957, por aí) e nunca tinha entrado em um apartamento.
Quando fiquei sabendo da novidade, perdi o sono. Fiquei imaginando o que era um apartamento, como era. Já sabia, pelo que me contaram, que era pequeno e que ficava perto da Santa Casa.
Então um dia papai falou:
– Vamos a São Paulo visitar a sua irmã.
Puxa… aquilo me deixou aturdida, uma viagem não era sempre que acontecia e conhecer São Paulo e um apartamento, então, era o máximo pra uma garotinha ingênua e caipira.
Fomos de trem a São Paulo. Adorava andar de trem e isso já era o máximo. Depois pegamos um ônibus e tudo aquilo que via era demais para mim. O barulho dos carros, os edifícios altíssimos, as pessoas elegantes que circulavam a pé pelas ruas. Estava louquinha pra chegar no apartamento de minha irmã.
BOm. Não foi nada daquilo que esperava. Acho que na minha cabeça passava alguma coisa meio futurista, sei lá.
Era um prédio pequeno, perto de outros bem maiores de São Paulo e isso me deixou decepcionada.
O prédio tinha três andares e o apartamento era composto de um hall de entrada, uma sala pequena, dois quartos minúsculos (perto do meu era um cubículo), uma cozinha que mal dava pra duas pessoas e o banheiro era escuro.
Os móveis eram lindos! Tinha uma vitrola (me lembro até da marca: Telefunken Hi- Fi) e lindos discos.
Voltamos no mesmo dia e depois disso fui várias vezes a São Paulo, visitar minha irmã e algum tempo depois – minhas sobrinhas.