Acho que o ano era 1965 e eu era bem "jovenzinho". Estudava no período noturno e trabalhava em dois empregos durante o dia. Até aí, tudo bem, pois é o que fazem a maioria dos jovens que precisam de tudo na vida. E sabem que tudo só depende deles.
Mas tudo se complicou quando me apaixonei. De verdade! Paixão irreversível e com ela a necessidade de ver a "namorada" em qualquer minuto que sobrasse entre esse caos de transporte coletivo em que eu vivia.
Minha rota diária compreendia idas e vindas a locais como centro de São Paulo, Bixiga, São Bernardo do Campo (era onde estudava, imaginem só!) e… ufa, o esperado Jardim Paulista.
Era lá mesmo onde morava a "paixão" citada acima.
"Virava e mexia" lá estava eu na Rua José Maria Lisboa no portãozinho de um sobrado cuja estrutura jamais poderei esquecer. E da rua também. Sossegada. Um restaurante de italianos na esquina, uma quitanda em frente, o tintureiro de um lado e o Zé Barbeiro do outro.
E o mais interessante de tudo era esperar o bonde 40 – Jardim Paulista para voltar para casa e tentar dormir o tempo que restava. Minha namorada ia comigo ao ponto do bonde. Isso era lindo demais.
Quando não era possível (chuva, frio, etc.) ela se apoiava na janela de cima do sobradinho esperando o bonde chegar e me ver partir. O trajeto era curto: Rua Pamplona, Paulista, Brigadeiro e eu logo descia, próximo à Rua dos Ingleses.
E assim foi. E assim ainda é. Todo esse tempo passou, bonde não tem mais aquela paixão continua em qualquer rua ou esquina, que seja, desse mundo.
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