Parece que foi ontem, tantas lembranças que é difícil enumerá-las, mas lá vai uma com meu irmão Antonio.
Certa vez ele namorou uma moça muito rica, para variar não queria ficar para trás. Comprou um Dodge Dart amarelo que devia fazer uns dois km por litro, e quase todos os dias ele tinha de empurrar até o posto, pois sempre acabava a gasolina. Quem ele chamava para ajudar a empurrar? Acertaram, eu mesmo.
Outra vez o Antonio colocou um botijão de gás no alto da escada da Rua Gama Cerqueira, que deveria ter uns quatrocentos degraus, e mandava eu empurrar o botijão de gás. Ainda bem que nunca aparecia ninguém para melar a brincadeira.
Uma outra muito boa era que na Rua Robertson com a Gama Cerqueira tinha uma senhora, a Dona Iracema, e ela era muito brava e nunca deixava a molecada empinar pipa em frente a sua casa. Um dia estava andando de bicicleta na calçada disputando uma corrida com meus amigos Almir, Israel e Willian, a calçada era estreita e nela estava a Dona Iracema. Olhei para um lado tinha ela, olhei para o outro tinha uma parede toda áspera. Achei melhor ir em cima dela, com certeza ela era muito macia, e apenas acertei sua mão, que quebrou um anel de professora e queria por todos os meios que pagássemos seu anel.
Muitas lembranças, pena que hoje nossos filhos não sabem o que representava para nós estas brincadeiras, muitas brigas, só que depois estávamos todos juntos novamente.
Cabe a nós, pais, não deixar que tudo isto fique no esquecimento.
Hoje moro em Goiânia, cidade muito bonita e ainda tranquila.
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