Minha cumplicidade com o Parque da Água Branca

Parque da Água Branca, ali nas Perdizes, no triângulo formado entre a Avenida Francisco Matarazzo, Ministro de Godoi e Germaine Burchard, com 136.000 metros quadrados e cerca de três mil espécies de vegetação densa, é um mini-pulmão dentro desta floresta de concreto que é a nossa São Paulo.

Este, batizado com o nome de parque Fernando Costa, foi criado em 1929 para ser um centro agropecuário, mas com o passar dos anos se tornou um ponto de encontro de famílias, hoje patrimônio histórico e cultural que oferece momentos de lazer e entretenimento à população.

A minha cumplicidade com este espaço começou com os rotineiro passeios aos domingos, que fazíamos lá pelos idos dos anos 60. Logo que eu e minha irmã botávamos o pé dentro do parque, corríamos para ver os macacos do mini-zôo, assim como os pássaros, tucanos, os pavões caminhando entre os transeuntes e os lagos com carpas. Adorávamos saciar a nossa sede nos bebedouros com formato de boca de leão, com sua água límpida e clara provinda de lençóis freáticos, fato este que gerou o apelido do parque: Água Branca.

Estas são imagens resgatadas da minha infância, um passeio de encontro com a natureza. É incrível como o parque de ontem e hoje mantém a mesma paisagem, seus prédios com arquitetura em estilo Normando, o pórtico de entrada com vitrais em estilo Art Deco, o pergolado, os casarões dando um toque de fazenda, as árvores octogenárias e os pavões com sua exuberância ainda embelezando o local. E pasmem, os mesmo bancos de cimento, alguns ainda com propagandas dos anos 60, com números telefônicos de seis digitos e endereços que não levam a lugar nenhum.

O parque também me traz recordações mais recentes, do início do século XXI, as feiras artesanais/culturais/ambientais promovidas pela ASSAMAPAB (Associação dos Amigos do Parque), onde várias vezes fui convidada para fazer uma apresentação, com tema ambiental, utilizando a técnica de rapel artístico, estilo de performance que utiliza técnicas de alpinismo em coreografias no ar. Esta apresentação acontecia ali na lateral da arena do rodeio, numa figueira grande e frondosa, ao som de músicas clássicas ou new age.

O Parque da Água Branca foi o cenário, e sua natureza testemunha de dois momentos marcantes da minha vida, os quais me fizeram sentir em comunhão com o divino numa cumplicidade sem par. Num primeiro momento, passeando e brincando entre as alamedas arborizadas na minha infância; num outro, tempos depois, o reencontro num momento muito especial pra mim: dançando no ar entre as copas das árvores.

Estes são os detalhes de frames antigos e atuais que se mixam e que me proporcionam um sentimento nostalgico, reforçando a minha cumplicidade com este parque. Posso dizer que se não fossem o mudar do calendario, as duas imagens estão sobrepostas e intercaladas na minha memória como mundos paralelos.

Obs.: Nenhuma árvore sofreu nenhum tipo de dano nas minhas apresentações. Tudo que precisava era uma árvore com "um" galho bem reforcado.

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