Meus avós Dona Belarmina e Chico Turco

Não seria tanto a minha história, mas a de um casal que tanto fez pelo município e que mora no bairro de Santo Amaro.<br><br>Poderia dizer que iniciou em Embu das Artes, quando meu avô libanês Francisco J. Salles chegou através de um navio, que aportou em Santos, no finalzinho do séc. XIX. Devido à dificuldade do escrivão em escrever o nome original do jovem rapaz, logo o convenceu em homenageá-lo com seu nome Francisco; José, nome comum no novo país; e Salles, pela aproximação do som do original.<br><br>Nascia, assim, Francisco José Salles, ou Salles, o imigrante, que logo se tornou caixeiro viajante e assim pode conhecer a jovem "caipira" Belarmina de Oliveira, descendente de portugueses, alemães e até franceses. Morava a jovem menina em casa próxima à igreja matriz do Embu das Artes, praça do caixeiro que pouco falava o idioma adotado, mas que tinha várias mercadorias que, por si só, falavam com as clientes ávidas de novidades em rendas, botões, enviés etc.<br><br>A jovem na janela o atraía e logo acertaram o casamento. Em lombo de burro vieram se instalar no município de Santo Amaro. Primeira morada ao lado do antigo Mercado de Santo Amaro, hoje centro cultural. O jovem casal, desde cedo, se interessou pelo comércio do local. Minha avó logo se envolveu com um armazém de secos e molhados, e com este comércio sustentou e ajudou o parceiro a colocar em prática o sonho da lamparina mágica, engenhoca que descobriu na região do Brás (José Paulino e 25 de março) quando fazia as compras costumeiras.<br><br>Iniciou com o Cine Rio Branco, onde até ringue de box, além de patinação, acontecia para distração do povoado. Firmou-se quando o Cine São Francisco se instalou onde hoje é a sede da Subprefeitura de Santo Amaro. A construção movimentou a família toda que, na época, já constava de doze filhos, genros, noras e netos, além da Angelina, negra taluda e braço direito da patroa, e Sebastiana, babá da criançada menor, inclusive da minha mãe, filha caçula do casal.<br><br>O grande sobrado (inclusive, carinhosamente identificado por muitos como sobradão) foi construído em terreno dos fundos do cinema. Tendo como minha avó a engenheira e arquiteta, esqueceu esta desbravadora de levar em consideração o sol e, infelizmente, apesar da beleza do prédio, este vivia quase a maior parte na sombra, fazendo com que boa parte social da casa necessitasse de luz artificial logo cedo.<br><br>Infelizmente muito teria de contar, mas o espaço é pouco, mas fica aqui o meu registro e saudades.<br><br>e-mail do autor: [email protected]