Meu velho Tatuapé

Eu fui batizado na Igreja N. Sra. do Bom Parto, portanto, nasci bem ali, na Rua B. do Conjunto Acrópole. Estudei no São Francisco e depois no G.E.V. Regente Feijó.

Padaria dos Fundadores, Padaria Pavão, Padaria.Rainha… E quem não se lembra do ônibus “Puerinha” (33). Isso é demais! Saia lá de cima da Padaria Pavão e terminava bem do ladinho da fábrica de biscoitos, lá perto da Celso Garcia.

Tinha ainda o ônibus 34, Bom Parto x Praça do Correio. Também me recordo da feira da Tuiuti aos domingos e da Serra do Japí às sextas… Do Cine Leste ou Nevada…

Agora estou na dúvida: quantos beijos dei e recebi durante as tardes de domingo no Cine Japí? As sessões que eu frequentava começavam sempre às 14h.

Será que alguém se lembra da Papelaria Paulista, da Farmácia do Senhor Orlando? Aliás, telefone na época era só lá ou na praça Silvio Romero. E por falar em praça, a inesquecível Padaria Lisboa do Alfredo Martins, do Restaurante Central, e, bem mais tarde, do Chapisco… Que agora me fez lembrar do Dallas, na Rua Euclides Pacheco.

Agora, para matar todos de saudades, eu vou fundo: quem será capaz de lembrar da COAP, aquela venda que existia na Rua Emilia Marengo, entre as ruas B e C? Quantos doces comprei lá! Isso mais ou menos no ano de 1959, 1962, por aí… Quase em frente tinha a farmácia do Sr. Osvaldo. E tudo ali era terra. Daí surgiu o apelido do ônibus de Puerinha. “Lá vem o Puerinha”, todos falavam, pois quando ele passava, fazia uma poeira danada!

Quem viveu essa época, quem viveu essa história, não deixará de lembrar o fato mais marcante, ao menos pra mim, e acho que pra muitos outros também: lembro-me, como se fosse hoje, que, descendo a Rua Serra do Japi, passando a Rua Serra de Bragança, um senhor morava bem ali, acho que na terceira casa do quarteirão. Ele era gordo e doente, estava sempre sentado em uma enorme cadeira de balanço. Eu devia ter uns cinco ou seis anos. Quando eu o via, perguntava para minha mãe:
– Mãe, como ele faz pra brincar?
Minha mãe se calava. E hoje posso entender seu silêncio: era o silêncio de mãe.

Meu bairro querido e admirado. Tenho muito orgulho de ter nascido, crescido, brincado, ficado adulto, ter me casado, ter tido filhos, estar com 55 anos e nunca ter te esquecido, mesmo estando agora tão longe.

Minha salva de palmas ao meu velho Tatuapé.

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