Caros(as) amigos(as), lembro também de quase tudo do nosso velho e querido Braz. Nasci em 1951 e pude acompanhar o cotidiano do bairro até meados dos anos 70.
Estudei (como muitos) no Grupo Escolar Romão Puigari. Lembro do bedel Senhor João, na avenida (e que linda avenida!), principalmente no trecho que compreendia desde o Parque Dom Pedro até a Estação Roosevelt (chamada de Estação do Braz). Estudei também na 30 de outubro, no Carvalho de Mendonça, no Piratininga.
Brincava com meus amigos: (Cabucchio) Cabeção, Brajola, Pindola, Marmelo, Odair, Nelson Rato, Luciano, Willian, Pasca Chocolate, Chiquinho, Ademir, Laerte, Aldo, Pirata, além das "mina… meu" Maria Augusta, Renata, Vanderly, Tereza Cristina, Antonieta, Sueli, Ivone, Ivonete, Maria Lucia, as gêmeas da prof. Batista, Sonia, Aurora, Rosa Maria, Ana, Denise, Maria Isabel, Ana Maria. Lá no parque, imaginem, brincávamos tanto que no final nos atirávamos no rio!
Íamos nadar também nas piscinas da "prefeitura", mais para o lado da Glicério, onde a mãe do Teleco, que era funcionária, "tomava conta" e nos deixava entrar. Nos fins de semana íamos ao Parque Shangai, a nossa "Disneyworld".
Na adolescência, então, vivemos anos maravilhosos. Anos 60, música romântica fervilhando nas rádios e nas rádios-vitrolas, bailinhos, cuba-libre, twist rock, boleros, Roberto Rita Pavone e os italianos com suas músicas estupendas…
É, o Braz era verdadeiramente sempre melhor! Éramos, na grande maioria, descendentes de italianos. Os que eram do nosso "pedaço", das ruas do lado direito e esquerdo da avenida, vindo do centro até os trilhos, eram, em sua maioria, de Nápoles, que se mesclavam com outros descendentes de europeus; os que moravam do outro lado da avenida, da Rua do Gazometro até a divisa com o bairro do Pari, eram descendentes de italianos (bareses).
Do lado de cá éramos devotos de Nossa Senhora de Casaluce (igreja fundada em 1900), e os do lado de lá eram devotos de São Vito (igreja fundada em 1940). Logicamente todos também éramos devotos do bom Jesus do Braz, que naquela época era a maior igreja do bairro e tinha como pároco o famoso "padre Jesuíno". Era nessa igreja que nossos avós/pais se casaram e que grande maioria de nós foi batizada e tomou a primeira comunhão!
Tínhamos de tudo no Braz, não é para nos "gabar", mas vejamos:
– As melhores cantinas, Castelões, Adega do Braz, Pizzaria do Luiz, Cantina 1060, Cantina do Marinheiro (original), Balila, Pizzaria Avenida Chic etc…;
– Dona Sebastiana da padaria; Seu Alfredo da papelaria; Sr. Pasquale da sfoglitelle; Seu Getulio sorveteiro; Seu Noel da farmácia da Caetano Pinto; Sr. Nascimento da banca de jornais Rangel Pestana x Mello Barreto; Seu Fiore do Guarani; o português Seu Joaquim da Pizzaria Chic; Seu "Meleca” que vendia "dan-top"; o homem das cabras que vendia leite; Seu Luiz Batateiro; Sr. Laselva que vendia peixe; Seu Osvaldinho que vendia sapatos; Seu Donato gerente das Casas Diana Paolucci; Seu Carlos da Cinelli (onde se comprava pólvora para fazer bombas de parede); Dona Tereza mãe do "Titoca" (que usava clara de ovos e sal para tratar dos nossos "entorces"); as "velhinhas" que benziam qualquer coisa; o Dr. Boccalini do Pronto-Socorro São Vicente; o Dr. Andreolli, médico que morava na Caetano e tinha consultório na Rangel x Vasco da Gama; o Dr. Romeu Bertelli, que morava na Prof. Batista; o Dr. Giovvedi; Seu Mário da leiteria Prof Batista x Campos Salles; o Seu João Mazullo do açougue da Campos Salles; o A.P.E.A.; o Bar do Valdomiro; o Seu Juvenal charuteiro da Caetano; a Dona Maria japonesa que fazia empadinhas e pastéis na Caetano; a drogaria Pio XII; o Laboratório Fontoura; o quintal do Sccopetta; o Cigano; o Veneno; o Fazú; a Chatinho; o Tatananá; o Angelino cigarreiro da Melo Barreto; o Nelson que decorava todas as placas dos automóveis; o vovô (dá bala); o Clédio Vendramini; os moscas; a procissão de Corpus Christi (o encontro de madrugada); a torrefação de café da Carneiro Leão etc…;
– As melhores padarias, os melhores cinemas, as melhores escolas, as melhores lojas, o Braz era um verdadeiro shopping center.
Sem contar que possuía os melhores moradores: gente simples, humilde e de espírito alegre e generoso. Faziam festa de tudo! A mais antiga era de Casaluce festejada em maio. Subi várias vezes no "pau de sebo", a de São Vito festejada em junho, que fazia em seu final uma grande queima de fogos que se tornou tradicional. Festas juninas, então, eram comemoradas na maioria das ruas.
Em nossas ruas, as portas das casas estavam sempre abertas. Tínhamos vínculos quase que familiares com os vizinhos, por força da tradição e cultura; todos respeitavam os mais velhos e dificilmente havia briga na comunidade.
Conhecíamos e tínhamos amizade com desde o mais simples até o mais ilustre morador do bairro. Nosso médico era do bairro, nosso professor era do bairro.
Quando alguém diz que antigamente todo lugar era assim, pode até ser, mas o Braz era diferente, tão diferente que até dialeto próprio nós descendentes de italianos tínhamos. Misturávamos português mal falado com napolitano misturado com outros dialetos italianos, que ao se "fundirem" criavam palavras somente entendidas por quem vivia e convivia no mundo mágico e utópico do nosso velho e querido Braz.
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