Ana era o nome, Dona Ana era como eu a chamava. Magérrima, cheia de rugas, apenas 1,52 m de altura (mais ou menos), os ossos saltavam do peito, nem parecia ter seios, cabelos grisalhos, mulher admirável. Nosso contato foi de 1957 a 1961 com margem de erro de um ano para mais ou para menos. Nesse período morei numa pensão da Rua Siqueira Campos, depois Rua Fagundes. Estudava na Rua Taguá, no Colégio Paulistano, onde hoje funciona a Faculdade FMU. <br><br>Dona Ana era a responsável pelas minhas roupas. Ate hoje não consigo dobrar as meias da forma como ela fazia. As camisas bem lavadas, impecavelmente dobradas pareciam ter vindo de uma camisaria. Não queria dizer lavadeira, mas sim, dona Ana era lavadeira e atendia muitas pensões de estudantes do bairro (cheios de escolas e cursinhos). <br><br>Humilde ao extremo, nunca soube onde ela morava, pois nos meus 20 anos isso pouco importava. Se fosse hoje gostaria de saber onde e como morava. Gostaria de ajudá-la, mas se passaram mais de 50 anos, na época ela deveria ter mais ou menos 45 anos. <br><br>Dona Ana: não consigo esquecê-la e onde quer que esteja, tenha certeza, vez ou outra, quando sentir alguma vibração é uma prece que lhe dirijo.<br><br>O engraçado dessa historia é que quase não conversei com dona Ana. Admirava a luta dela, mãos cheias de rugas, sua magreza assustava e ela sempre gentil ao entregar as roupas. Foi uma figura marcante na minha vida. Gostaria ter conversado mais com ela, ainda que os assuntos fossem banais como:<br>- “Puxa que calor… Será que chove hoje? A senhora tem muitas entregas hoje?”<br><br> Será que os moradores da Taguá, da Fagundes, da Siqueira Campos e imediações lembram-se de dona Ana? Ah, todas as ruas citadas são do bairro da Liberdade.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>