Ele era muito alegre,quando sorria, gargalhava de satisfação. Desde muito jovem, adorava crianças. Costumava sempre trazer doces, chocolates e brinquedos em várias oportunidades. Quando descia as escadarias da vila, que fica no Bexiga, as crianças em férias, logo corriam. Era simpático, brincalhão e carinhoso.
Foi em uma véspera de Natal nos anos 60 que Pedrinho nos fez uma grata surpresa. Chegou ao quintal da vila abarrotado de caixas e pacotes. A criançada logo correu para cercá-lo, lembro-me nitidamente da cena. Eu logo me aproximei e ele me entregou uma caixa, fiquei tentando carregá-la e me sentei na soleira da porta da casa de minha tia Gema para abri-la.
Quando consegui retirar o papel de presente e abrir a caixa, ri e chorei de felicidade. Ganhei uma linda boneca da Estrela, chamada Beijoca. De cabelos louros, vestido alinhado e de rendas brancas, que ao movimentar e juntar os bracinhos proporcionava algo muito especial! Os lábios encolhiam-se e soltavam um suave e sonoro ruído. Pulei de alegria pela vila inteira. Minha prima Ana Maria, sua irmã ganhou uma Amiguinha e sua afilhada Rosinha, acho que ganhou a boneca Brotinho.
Outras meninas e meninos também vibraram com suas panelinhas, jogos e brinquedos. Foi uma correria para mostrar os presentes a todos os vizinhos das redondezas. Lembro-me ainda de ter comido bolinhos de arroz e rabanadas, que logo quis oferecer também para a Beijoca, mas minha Tia Gina pediu que eu a guardasse para não sujá-la, pois teria que usar um guardanapo para limpar bem os seus lábios depois. Do contrário, nada mais de beijinhos.
Essa história é para você Pedrinho. Você sempre será uma estrela que brilhou no céu de minha infância e que ainda hoje consigo percebê-la bem guardada em meu coração. Hoje sei que descansa em paz, longe da ambição e pequenez humana, que tiraram sua preciosa vida por um carro na garagem.
E-mail: [email protected]