Meu primeiro Fusquinha

Olhando o caderno de classificados de automóveis de um dos nossos jornais, vi a possibilidade de comprar um carro zero pagando em setenta e dois meses.

Lembrei que o meu primeiro carro foi um Fusquinha 1300 amarelo colonial, bancos marrons escuros, que foi comprado na Frama com zero de entrada, em quarenta meses. O valor da prestação era de 625,00 fixa no carnê. O total dava 25.000,00, não lembro se era cruzeiros ou novos cruzeiros.

Mas o interessante era que o Fusquinha veio com rádio de uma faixa e um porta lenço de papel no teto, o que era muito cômodo.

O trânsito em São Paulo não era muito diferente do atual, pois embora o número de veículos fosse pequeno, as vias de acesso também eram em menor número, através de ruas antigas, projetadas no tempo em que não se imaginava que pudessem existir milhões de pessoas morando em nossa cidade.

Eu trabalhava no centro da cidade e morava em um lugar afastado, isolado da cidade por uma mata continuada, permeada por algumas indústrias. Rudge Ramos, que hoje é logo ali.

A Anchieta era insuficiente quando chegava nas proximidades do Ipiranga, e os congestionamentos se formavam lá. A Avenida do Estado, acesso ao centro, era estreitinha, margeando o Tamanduateí, que na época era descoberto.

Deixava o carrinho estacionado na rua, no bairro da Liberdade, e pasmem, já havia os guardadores de carro.

Quando o Fontenelle dirigiu o trânsito em São Paulo e começaram as obras do metrô norte-sul, foi um verdadeiro inferno. Tanto que para alguns lugares era mais rápido ir a pé do que pegar ônibus.

Velhos tempos em que São Paulo tinha a Avenida São João, Cerro Corá e Francisco Matarazzo para a zona oeste, a Rangel Pestana e Celso Garcia para a zona leste, a Rua Vergueiro, Domingos de Morais e Jabaquara para a zona sudeste, a Tiradentes e Voluntários da Pátria para a norte, a Brasil como perimetral, a Santo Amaro para a zona sul.

e-mail do autor: [email protected]