Meu Pai, Armando Ventura Mennitto nasceu em 23 de Março de 1912 na cidade de Campinas, em São Paulo. Seu Pai, Michele Antonio Mennitto (Michele se pronuncia Miquele) veio da Italia direto para a cidade Campinas. Ele era campeão de luta Greca-Romana. Em 7 de Setembro de 1906, no "Theatro-Rink" naquela cidade ele lutou com o campeão paulistano Pedro Puccetti. A luta durou dois dias. No primeiro dia eles lutaram por 52 minutos e no Segundo dia lutaram por mais 1 hora e vinte minutos. Meu avô, Pai de meu Pai tornou-se campeão Brasileiro. Seu filho Dilarmando Ventura Mennitto, irmão mais novo de Papai, voltou para Campinas e se estabeleceu com sucesso no ramo de ótica. (Optica Conceição) Ele, com a ajuda do prefeito da época (1978) inaugurou uma das ruas de Campinas com o nome de Rua Antonio Mennitto em homenagem ao seu Pai, meu Avô.
Vovô veio para Campinas porque ele descobriu que ele havia familia em Campinas. Ele era primo da família Cruz e Bourbon, famosos plantadores e comerciantes de café. Lutando nos rings da cidade, Vovô amealhou uma pequena fortuna e em 1914 e resolveu mudar-se com a família para São Paulo. Em São Paulo ele estabeleceu-se com uma padaria. Em 1926 ele já era milionário com mais de uma padaria e casas que ocupavam um quarteirão na Rua Guaporé, no bairro da Ponte Pequena. Papai foi criado com luxo. Vovô não sabia lêr ou escrever, apenas sabia fazer pão e trabalhar duro. Mas, não muito depois, ele foi enganado por dois ladinos advogados e ele perdeu tudo. Passaram a viver na miséria.
O Clube de Regatas Tietê era perto de onde movaram e Papai ficou sócio do local em abril de 1927. Militou pelo clube como remador (esquife do barco Anhemby) e como patrão do iole a oito. Lá no Tietê, ele logo ganhou o apelido de "Banha", pois sempre foi rechonchudo. Papai fez um curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo com o Professor H. Blackman. Em 1942 formou-se pela Escola Superior de Educação Física de São Paulo. Tornou-se técnico habilitado de Bola ao cesto, natação e futebol. Mais tarde foi técnico de bola ao cesto do Tietê, do Corinthians Paulista, do Clube Atlético Pinheiros e da Cidade de Sorocaba. Mais tarde tornou-se juiz de bola ao cesto pela Federação Paulista de Arbitros. Nunca exerceu como técnico de futebol, mas emprestou seu nome para alguns times Paulista que necessitavam de um técnico de futebol formado para poder viajar para fora do Brasil.
Na época o esporte era muito mais de amadores e Papai nunca fez muito dinheiro com o esporte. Casou-se em 1933 com Helena Pierotti também de família italiana. Tiveram três filhos: Anthony Mennitto, Maria Helena Ventura Mennitto e Célia Ventura Mennitto. Minhas duas irmãs são falecidas. Mas o esporte estava em seu sangue e começou a fabricar calções e artigos esportivos para sustentar sua família.
No Tietê pertencia ao CRT que promovia festas e muitos bailes. Seus melhores amigos também eram Tietêanos roxo, tais como Bento de Camargo Barros, Jacintho Caceres Silva (O Fuzarca), Oswaldo Massaini (O Massa), Paulo Celestino, Silvio de Magalhães Padilha, Alberto da silva Azevedo, Luis DeLamana, Nelson Mennitto, Dilarmando Mennitto, Daniel Cinquini, Celso Bierrenback, Herbert Levy, Celso Pelicciari, Palmerio, Olavo Barra, Vila Real, Rumi Di Ranieri, Abib Mansur (o Turco), Anauate, Francisco Iaconeli e mais uma dezena de outros que eu, infelizmente, não me lembro dos nomes.
Angelo Del Monaco, alistou-se, foi soldado e desertou da revolução. Mas tarde, veio a casar-se com uma das irmãs de Mamãe Leonilda Pierotti. A família guardava silêncio, mas achavam que o Angelo foi covarde. O meu tio Luis Mendes Pereira, o "Pará" casou-se também com uma das irmãs de minha mãe Laura Pierotti. O "Pará" alistou-se como simples soldado combatente e voltou da revolução com as divisas de tenente por bravura. Esse meu tio era admirado por todos nós como Papai.
Papai sempre gostou de música. Tocou violino e pistão. Com efeito, nós os três filhos estudamos música também – piano. Foi o corneteiro de seu batalhão. Não tenho meios para saber onde Papai batalhou, mas sei que foi contra os Mineiros. Uma tia (Amelia Pierotti) ainda viva (94 anos) disse-me que, se não falha sua memória, ele lutou em Oleotério e Taubaté. Papai nos contou que uma vez combatendo, uma bala passou raspando no chão bem ao lado da sua bota. Levantou terra que cobriu parte da bota. Papai era valente e sua vida nos mostrou isso. Disse que na revolução às vezes eles não tinham muito.
Contava que por todos os lugares pelos quais eles passavam eram aplaudidos. Muitos fazendeiros davam-lhes alimento e vinho. Muitas vezes as rações eram escassas e não tinham quase nada para comer durante os combates. Papai contava que uma das vezes eles encontraram uma fazenda abandonada, mas cheia de galinhas e ovos. Papai gostava de cozinhar. Passou a mão em uma lata de querosene vazia de 20 litros. Encheu de agua e cozinhou mais de sete duzias de ovos. Foi uma festa, dizia ele. Encheram o bandulho, mas os "gases" depois se confundiam com os tiros. Comeram galinha e vegetais frescos. Apesar das dificuldades e da luta, Papai recordava com carinho as passagens da revolução. Na revolução ele perdeu amigos e fez novos amigos.
Ele contava que a pior sensação era de ter que guerrear e, eventualmente, matar alguém. Ele deu muitos tiros, mas acha que não matou ninguém, mas mataria se fosse preciso, pois estava em guerra e ele estava longe de ser covarde. Papai era muito engraçado e todos nós o adoravamos. Ele gostava de teatro e trabalhou em algumas peças. Fez gravações em disco da série "O vingador" em fins dos anos 40. Eram discos enormes em 48 rotações para poder durar 20 minutos nas transmissões de rádio. Papai era muito hábil com as mãos e consertava tudo. Aprendi muito com ele. Eu tinha por volta de 12 anos e ele veio até mim e disse:
– “Isto é um formão e não chave de fenda” – eu havia arruinado o corte do formão usando-o como chave de fenda.
Nunca gritava com a gente. Era calmo e procurava ensinar sempre.
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