Meu limão meu limoeiro…

"Meu limão meu limoeiro, meu pé de jacarandá"…

Nos amplos campos dos tempos de antanho, quando a infância era livre de preocupações e que só tínhamos a escola como marco de plena obrigação e depois somente diversão infantil.

Morávamos aqui na Parada Petrópolis (Brooklin), bairro destino de imigrantes, sobretudos europeus, povo marcado pelo amor e respeito à natureza e que habitavam as chácaras repletas de vegetações e de árvores frutíferas com pomares de farta variedades, além de pequenas hortas e até cercados onde se criavam galinhas.

Andávamos sempre em um grupinho pequeno de garotos, armados com os famosos estilingues para caçar passarinhos e, a tiracolo, um bornal, como o chamávamos, para transportar munição e outro para colocar as caças abatidas.

Nas várzeas que rodeavam o rio Pinheiros, havia uma densa vegetação rasteira onde juntamente com os nossos cães íamos caçar preás. Os cachorros localizavam a caça e nós a abatíamos a estilingadas.

Às vezes quando não íamos caçar ou praticar outra atividade, planejávamos visitar, sem a devida autorização dos donos, as chácaras onde havia frutas da época.

Tínhamos o cuidado de evitar aquelas que tinham cachorros bravos e as de portugas, pois eles atiravam com espingardas com balas de sal e ameaçam nos matar assim que pegasse um de nós.

Mas felizmente isso nunca aconteceu…

O tempo passou, as chácaras acabaram, as várzeas desapareceram, os estilingues, bornais, viraram peças de museu, e só a saudade permaneceu…

Hoje, olhando os netos que têm as idades que tínhamos, vejo com um olhar em devaneios e imagino as diferenças de um tempo que há muito já se foi com os de hoje. Fico agradecido a Deus, por ter-nos propiciados, a nós crianças de antanho, a felicidade de uma vida saudável e em contato com a natureza, onde o maior perigo era um tirinho de sal…

Saudades de: “Meu limão meu limoeiro, meu pé de jacarandá”…

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