Meu irmão estava certo

Eu sempre fui um garoto apressado, gostava de sair com os amigos de meu irmão, que eram bem mais velhos que eu. O meu irmão dizia para eu sair com os meus amigos da minha idade, eu achava que já era dono do meu nariz, até que a vida me ensinou a esperar o meu tempo.

O meu irmão e os seus amigos combinaram de ir no puteiro que tinha na Rua Barão de Limeira, era de uma francesa. Eu quis ir junto, o meu irmão não queria me levar porque eu era uma criança, até que de tanto encher o saco ele me levou. Foi o pior dia da minha vida, nunca vou esquecer a data, 09/03/1955 (eu tinha quinze anos), nunca tinha visto uma mulher pelada na minha vida.

Entramos no prédio, o elevador era antigo, a porta era de sanfona, prédio velho, chegamos no andar já comecei a sentir tremedeira, entramos no puteiro, a sala toda forrada, de cetim vermelho, tinha umas quinze mulheres, quase todas peladas.

O meu irmão acertou o preço com uma loira e me chamou para ir para o quarto com ela, a mulher devia ter 1,80 de altura. Quando a mulher ficou nua eu não sabia o que fazer e nem por onde começar (fiz que nem o cachorro que corre atrás do caminhão de mudanças, ele late, o caminhão para, ele não sabe o que fazer).

Foi um vexame, chamei a puta de senhora, ela me deu o maior esculacho. Eu tremia, parecia que eu estava com malária.

Na saída, os amigos do meu irmão tiraram o maior sarro da minha cara. Chamaram de brocha, eu nem sabia o que era isso. Foi quando o meu querido e falecido irmão disse: “vai chegar a hora certa de você conhecer uma mulher e você vai fazer a coisa certa”.

Foi a maior lição de vida que eu tive, ele me dizia: “o bebê começa a engatinhar, depois ele dá uns passos até aprender a andar”. É verdade, o meu querido irmão estava certo.

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