Da década 50 nada posso afirmar, mas da década seguinte (60) aí posso porque fiz parte dela. Refiro-me, senhores, à postura dos professores do primário, o qual abrangia do primeiro ao quarto ano. Cada professor no seu estilo vendia com facilidade uma imagem austera, condenatória, e porque não, até pavorosa para os alunos. Se bem que, do primeiro ano ginasial até o quarto a coisa ia para o mesmo caminho, ou seja, eram professores rigorosos, autênticos, castigadores, que faziam com que os alunos os temessem. Tanto nos marcaram na vida que hoje, com 62, lembro dos olhos azuis lindíssimos da "terrível" dona Maria Matilde, e da oriental dona Sumika então…que só de vê-la eu ficava com medo do meu pai.
Um dia, dona Sumika foi à minha vizinha e madrinha buscar umas toalhinhas que havia encomendado e quando eu a vi no portão do vizinho pensei que ela estava procurando a minha casa, e o medo apossou-se de mim. E a coisa ia por aí afora, e nas conversas nos pátios das escolas discutia-se qual professora era mais carrasca, castigadora, cruel, sendo que cada aluno contava uma história diferente praticada por esta ou aquela professora, sempre tendo como foco alguma coisa castigadora vindo dos "educadores" de um tempo em que se amarrava cachorro com linguiça.
Na região do Caxingui/Previdência, havia uma em especial que tinha muito conceito de ser uma educadora acima da média, e o nome da mesma era "Durgã". Teve uma outra professora que referia-se ao meu irmão como "abóbora podre", e este fato até hoje quando estou com meu irmão faz-me rir. Enfim, era um bando de professoras enérgicas que não titubeavam em castigar, não fisicamente, mas sim de forma constrangedora para os dias atuais, mas (vai entender) normais para aquela época.
Boas ou más, o fato é que em todos os bairros paulistanos havia destas professoras enérgicas, e não há quem não se lembre de alguma coisa de seus professores. O que teve de criança que sofreu não foi mole não, nos restando saber que estes severos educadores apenas nos ensinaram a ler e escrever, e que eles, no fundo, queriam o bem de todos. Por isso nos lembramos deles com bons sentimentos.
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