Outro dia, em virtude das férias escolares fui com minha esposa acompanhar as netas em uma sessão cinematográfica.
As opiniões sobre a qual filme iríamos assistir estavam divididas. As netas mais velhas, ou seja, acima de 14 anos, estavam querendo assistir um filme nacional cuja censura era para maiores de 14 anos, a menor, por estar com 12 anos, não teria condições, embora quisesse, de assistir ao referido filme.
Por consequência, caberia a eu acompanhando a neta mais nova e assistindo um desenho animado. Não achei justa a referida divisão. Usando de minha persuasão, convenci a todos que o ideal seria irmos assistir o desenho animado, no caso, "A Era do Gelo 4" em terceira dimensão.
Devidamente convencidos, rumamos para o cinema, adquirimos os ingressos, locamos os óculos especiais, compramos uma grande quantidade de pipocas e copos de refrigerante, e nos preparamos para a sessão.
Enquanto esperávamos, eu, de posse dos óculos especial, me pus a verificá-lo. Era de uma estrutura plástica rígida e com lentes especiais. Estava fazendo essas percepções quando uma lembrança se apossou da minha mente.
Lembrei-me, então, que muitos anos atrás, quando eu tinha apenas 13 aninhos, assisti à primeira apresentação de um filme em terceira dimensão. Era então, uma novidade cinematográfica em São Paulo.
O primeiro Cine República encerrou suas atividades e o prédio em que ele estava instalado por muitos anos fora ocupado por uma repartição da prefeitura paulistana. Em 1952 Paulo de Sá Pinto (Empresa Cinematográfica Paulista) adquiriu o prédio em questão e depois de reformá-lo inaugurou o novo Cine República com capacidade para 2254 lugares. O Filme de estreia da nova sala, conforme os anais históricos, o filme de inauguração foi "A vida Secreta de Nora" estrelado por Loreta Young e Joseph Cotten.
Paulo Sá, nessa sala de cinema, primou em lançar grandes novidades. Entre elas, em 1953 lançou sessões em terceira dimensão. Essa novidade foi a coqueluche de Sampa por muitos meses. As filas para assistirem ao filme "Veio do Espaço" eram enormes e obrigaram o lançamento de outra novidade, as sessões `a meia-noite.
Os óculos que deveriam ser usados pelos espectadores eram feitos de cartolina e tinham lentes coloridas. Uma de cor vermelha e outra de cor azul. Esses utensílios eram usados durante o transcorrer das sessões e, ao final na saída, devolvidos ao lanterninha para serem desinfetados e reutilizados por outros espectadores.
Tudo isso veio à minha memória em frações de segundos e, depois, voltaram para o limbo das minhas lembranças. Hoje, pensei nessa ocorrência e resolvi relatá-la para registrar que São Paulo, há 63 anos já teve sessões de cinema em terceira dimensão. Que hoje faz tanto sucesso entre a garotada.
Assim sendo, mais uma vez fica provado que o passado se faz novamente presente e que nada se cria tudo se copia.
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