Memórias Televisivas

O lado comercial da TV teve que ser, sempre, muito criativo. É através do comercial que os programas podem ser levados ao ar. Os custos dos setores técnicos e artísticos são permitidos com a inserção de comerciais.
Nos primórdios da TV no Brasil e, principalmente em São Paulo com suas estações de TV locais (Tupi, Record e Paulista), a falta de experiência, de espaço e de equipamentos, obrigou a busca de muita imaginação para que comerciais fossem levados ao ar. Eram programetes ao vivo, entregues à capacidade de oratória de moças bonitas e de raciocínio rapidíssimo. Os problemas que aconteciam com o comercial no ar eram muitos e, na medida do possível, tinham de ser resolvidos com a imaginação das pioneiras.
Eram portas de geladeiras que não se abriam, fogões que negavam fogo, só para citar alguns dos probleminhas.
Enquanto no ar os programetes comerciais, o estúdio tinha der fazer absoluto silêncio, e às vezes um martelo teimava em cair, um desavisado maquinista falava com a voz um pouco mais alta e o comercial ficava definitivamente prejudicado.
As moças bonitas que tratassem de colocar seus sorrisos à frente e se livrassem das dificuldades da melhor maneira possível.
Foram muitas as carinhas bonitas que enfeitaram a telinha nos primórdios de 1951 a 1963.
Entre as várias, gostaríamos de citar as mais famosas, mesmo correndo o risco de fazer injustiças por esquecimento.
Eram elas: Rosa Maria (a pioneira), Idalina de Oliveira, Meire Nogueira, Cleide Blota, Clarice Amaral e até a Vida Alves que depois se tornou atriz e protagonizou o primeiro beijo da TV brasileira tendo como companheiro o galã Walter Forster
Todas essas e muitas outras tiveram sua fase de ouro na TV e disputaram os píncaros da notoriedade. Só vieram a perder essa popularidade com o advento de novas técnicas como a aparição do Vídeotape, que permitiu, inclusive, a diminuição das “falhas” dos programas e dos comerciais ao vivo.
Hoje o Brasil é um dos maiores criadores de publicidade em vídeo e deve muito dessa qualidade aos pioneiros do comercial ao vivo que puseram, naqueles idos, a cara para apanhar e aprenderam todas as “mumunhas” depois transmitidas.
Salve nossa capacidade de criar e aprender.

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