Meados dos anos 50, os paulistanos ainda estavam curtindo a ressaca das magníficas festividades do IV Centenário de sua cidade.
Foram festividades com F maiúsculo, atrações internacionais e entre elas uma parada de Bandas Escolares Americanas de fazer babar qualquer um que as assistissem. Festival de cinema com a presença de astros e atrizes de renome. Chuva de Prata (triângulos de papel alumínio lançados aos milhões de aviões, à noite e iluminados por fachos de holofotes, davam a nítida impressão de as estrelas caiam sobre nossas ruas e avenidas tontas de tanta alegria).
No Parque do Ibirapuera, totalmente remodelado para ser transformado no centro das festividades, tendo fincado em sua entrada o símbolo do IY Centenário, as festividades se multiplicavam, as exposições eram dignas de todo respeito, em seu lagos, podia-se assistir, todas as noites o show das Águas Dançantes, que era assistido por uma multidão de pessoas bestificadas pelo majestoso espetáculo que se lhes apresentava. Foi realmente uma festa digna de 400 anos de vida da cidade de São Paulo.
Pois bem, depois dessas festas todas, e quem sabe aproveitando o impacto que a Chuva de Prata havia causado na população, um político, pensando nas eleições vindouras, resolveu aproveitar a imagem de N.S. de Fátima que iria visitar a cidade e se propôs a promover uma chuva de pétalas de rosas sobra paulicéia.
O nome desse político nem interessaria para as minhas memórias mas, como também não a deslustrara eu conto, era o Sr. Pedro Geraldo Costa, que tinha a seu comitê sede num sobrado Rua da Consolação quase esquina com a rua Caio Prado. Bem em frente à ladeira Rua Dr. Cesário Mota Junior.
Eu, na época com meus 14/15 anos, ajudei a coletar donativos para compra de rosas e também ajudei a despetalar as rodas para a referida chuva.
A chuva, ao que me recordo foi um sucesso e as reeleições do Sr. Pedro foram garantidas por mais alguns anos.
Hoje, ao me ver escrevendo sobre essa recordação não pude deixar de fazer uma comparação com as praticas políticas de agora, que ao contrário de usar a religiosidade do povo paulistano se promove através de mentiras, escândalos e outros atos da mais baixa estirpe.
Novos tempos, novos hábitos.