Humildes e alegres santamarenses do passado!

Notei, na revista do arquivo Municipal, editada em 1952, um pequeno trecho de Edmundo Zenha, que se referia ao Santo Amaro pós-colonial, a seguinte descrição: “Era uma vila pobre, rude escrínio, para a jóia custosa que encerrava. Pobre pelos poucos recursos primários de que dispunha, pobre de movimento, pobre de comércio, pobre de comunicações, por certo, pobre também de alegria.” Longe de querer ser um conhecedor da história de Santo Amaro, não posso concordar com a citada pobreza em alegria do povo que deu origem ao nosso Bairro – Cidade. Por certo, esse povo amável, hospitaleiro e alegre, que vive e viveu em Santo Amaro dos anos 40 para cá, não pode ter tido origem de um povo que, pela pobreza material, era também pobre em alegria. As grandes festas religiosas da evangélica povoação de Santo Amaro eram tomadas de tamanha felicidade, que até os dias de hoje faz chorar de saudades os mais incrédulos e céticos santamarenses que ainda vivem em nosso bairro. Quero crer, sobretudo, que a alegria do povo Santamarense sempre conviveu com a simplicidade, com a amizade e com a solidariedade que o Santamarense sempre cultuou em sua maneira de ser. Não há como não achar alegre a maneira do caipira Santamarense receber suas visitas, com as deliciosas guloseimas domésticas que suas donas de casa tinham por hábito fazer e oferecer. Como se manter triste, por exemplo, diante de um tacho de doces de laranja, feito pela D. Bimba? E diante das pamonhas feitas pelas mãos sagradas de Nhá Maria Branco de Andrade (Bença, vó!)? O que se dizer, então, das batatas doces, amendoins torrados e dos saborosos pinhões amolecidos pacientemente sobre os fogões à lenha daqueles tempos? Como dizer ter origem triste, uma sociedade que, costumeiramente, se reunia alegremente em grandes festas no Clube Bandeirantes? Como dizer triste, um povo que fazia algazarras (no bom sentido) e promovia no Cine São Francisco, inesquecíveis noitadas carnavalescas? Dizer triste quem fazia felizes e inocentes passeios domingueiros no paredão da represa? Tristes as alegres confusões à beira dos campos de futebol de várzea que notabilizaram craques inesquecíveis e que existiam em abundância, em toda a Santo Amaro de antanho? Ah, meu Deus! Não posso acreditar que fomos tristes no passado…! Se não sabiam que eram felizes as pessoas que nos geraram, com certeza demonstraram a todos nós que a felicidade não residia em nossa pobreza material, mas sim, na união dos corações de todos os Santamarenses que formaram as gerações pós-colônia da nossa terra. Tcháu!! Roberto Pavanelli.