Sou do tempo em que os homens primavam pela elegância. Vestiam fatiotas costuradas por alfaiates conhecedores dos mistérios da arte de bem coser, eram roupas de três partes, a saber: calça colete e paletó.
As camisas eram procedentes de grandes camiseiros ou de camisarias famosas de Sampa. Sapatos de preferência de cromo alemão, meias Lupo ou Aço de cano longo.
Gravatas confeccionadas em seda italiana, abotoaduras para punhos duplos em ouro e bastante elegantes.
Na minha juventude, o chapéu tinha sido abolido e só os mais radicais teimavam em usá-lo, eu mesmo não os usando gostava de admirar quem os usasse.
Meu alfaiate era o Nelson que morava e tinha seu ateliê na Bela Vista, ali na Rua João Passaláqua, hoje extinta mercê as deformações arquiteturais sofridas pelo Bixiga. Ali ele e o pai coziam as roupas dos Duques de Piu-Piu com todo o carinho e afeto.
Minhas camisas eram compradas na Camisaria Tanhauser, que ficava na Avenida São João bem em frente ao prédio dos Correios, precisamente na entrada do setor de telegramas, ou então, eram confeccionadas por dois camiseiros de mãos cheias, o Wander e o Bell, que tinham loja na Rua da Glória, quase esquina com a Rua Conselheiro Furtado.
Era com eles que eu encomendava as camisas com golas morcego, punhos duplos com recortes e outras modernidades da época.
Bem, esta introdução foi só para que eu pudesse falar de uma figura bixiguiniana, a mais elegante que eu tive oportunidade de conhecer por aquelas bandas. Eu estou falando do Bano ou Urbano, figura alta e magra, sempre elegantemente vestida, que andava pela Rua 13 de Maio e adjacências exalando finos perfumes. E esparramando elegância.
Nas noites mais frias, usava por cima do terno impecavelmente passado, um sobretudo de lã de carneiro, um cachecol branco de seda e um chapéu Ramenzzoni, sempre em consonância de tom com o terno em uso.
Assim trajado, o velho Bano, por volta das 21h passava pelo Bar e Bilhares Rex da Rua Manoel e Dutra, tomava um conhaque, dizia algumas brincadeiras com o frequentadores e, se despedindo de todos, dizia sorrindo com o canto da boca: "Amigos, o velho Bano vai à caça. Boa noite.". Descia os degraus do bar e sumia na noite que, às vezes, não era tão elegante como ele.
Bom era poder usufruir de tanta elegância.
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