Novamente vou escrever sobre os "Duques de Piu-Piu" e, garanto, não será a ultima vez, tenho muitas memórias boas ou quase boas dessa fase da minha existência.
Hoje a memória me leva para uma aventura de baile, não me lembro o ano mas a fama de bons bailarinos conquistada pela turma voava com o vento, uma das meninas que falava de nossa especialidade trabalhava na Phillips do Tatuapé e nos convidou para o Baile de aniversário da empresa que seria realizado nos salões do Palácio Mauá, lógico, aceitamos de pronto, com quase dois meses de antecedência.
Começaram, então, os comentários, e já tínhamos compromisso de dançar com muitas damas.
Me lembro que eu e o Xiribi, fizemos beca (roupa) nova para o evento. O Nelson alfaiate foi convocado para fazer nossos ternos que, por coincidência, eram idênticos, feitos em tropical na cor caramelo com colete transpassado.
Eis que, se não quando, chega o esperado dia, ou melhor a esperada noite, e as 23:00 hs. os "Duques de Piu-Piu", sem nenhuma baixa e com mais uns agregados (o Dito Caipirinha e o Aluísio, o Tche) se apresentavam nas monumentais portas do Palácio Mauá.
Entramos e fomos logo assediados pelas damas já conhecidas. Antes da primeira seleção ser iniciada, fui até a beira do palco e com satisfação constatei que a maioria dos músicos eram grandes conhecidos, caso do Mãozinha (ritimista), Cópia (pianista), Orlando (trompetista) e vários outros. Bati um papinho curto com eles e me despedi para deixá-los trabalhar.
Começa a música e não temos como recusar começamos a dançar. Já vividos na malandragem, fomos percebendo que os "cavalheiros" da Phillips começaram a nos olhar atravessado e comentar entre eles.
Nada tínhamos a fazer, continuamos dançando e recebendo algumas represálias tais como empurrões "sem querer", pisadas por "descuido"e outras cositas más.,
O Baile estava bom e continuamos a dançar. Mas, tentando evitar alguma ocorrência mais desagradável, combinamos que iríamos dançar mais ou menos próximos uns dos outros, e assim o fizemos.
Por volta da 1:00 hora da madrugada, durante uma seleção de sambas, aconteceu o esperado. Um chute mais forte recebido pelo Toninho, gerou a confusão. Imediatamente os "Duques"se agruparam formando um círculo para não serem atacados pelas costas e começaram a distribuir bordoadas nos atacantes. O "pau"foi feio, a orquestra quando percebeu que estávamos na briga se dividiu, uma parte veio nos ajudar enquanto a outra tocava " na gafieira segue o baile calmamente….."
Numa tentativa de serenar os ânimos, os "briguentos" foram apartados e informados que a Polícia já estava chegando, vi então que os causadores da briga tentavam se evadir pelas escadarias e corri atrás, me dei mal, eles estavam em muito maior número do que eu. Apanhei tanto que nem me agüentava em pé, ainda por cima com um braço luxado.
Para abreviar, os únicos detidos pelos policiais das 8 viaturas de choque que atenderam a ocorrência foram os "Duques de Piu-Piu". Fomos detidos e encaminhados à Central de Polícia, na época localizada no Pátio do Colégio.
Ali fomos pensados e tivemos que aguardar o Delegado titular que só chegou e nos dispensou as 7:00 hs. da manhã.
Cheguei em casa, e mesmo todo amarfanhado, liguei o rádio na Bandeirantes e tive que ouvir o Vicente Leporace no "O Trabuco" mandar um recado para o meu pai que era seu amigo. O recado foi mais ou menos assim: "O Alfredão, filho bailarino que acaba baile e faz arruaça é um predicado meio difícil de ser aceito"
Que papelão!!!!