Hoje o saudosismo piegas se faz presente. Já contei memórias do tempo em que residi na Rua Maria José (Bixiga City), entre elas a do Torresminho Pururuca.
Nesse endereço, onde iniciei minha atribulada vida de homem casado, muitas tragicomédias aconteceram. Entre as que me chegam à mente foi um episódio vivido logo nos primeiros dias depois da nossa mudança para aquele apartamento.
Tínhamos poucas coisas, mas os espaços vazios da casa foram preenchidos de forma harmoniosa. Entre a porta da entrada e a sala existia um longo corredor apenas recortado por um dente de mais ou menos 1,5m, e depois uma porta que dava acesso ao banheiro.
Pois bem, para não ficar parecido com uma salsicha vazia, resolvemos, eu e a Da. Cida alocar naquele dente uma estante de madeira e todos os livros que nela cabiam.
A decoração ficou supimpa! O espaço foi preenchido e tomou vida.
O apartamento não era de construção recente, vez ou outra apareciam por lá alguns insetos indesejáveis.
Baratinhas surgiam aqui e ali, os gritos de Da. Cida se faziam presentes e o meu chinelo ou sapato resolvia o impasse. Uma coisa era certa, barata avistada ninguém ia dormir antes da sua morte.
Dias depois de nossa mudança, já um tanto acostumados com o novo “lar doce lar”, fomos aproveitar um convite especial e jantar na casa de uma tia de Da. Cida.
Fui buscá-la na saída do serviço e juntos subimos a Rua Augusta, pois sua tia morava naquela rua. O jantar foi delicioso, nos fartamos com costelinhas de porco na panela, arroz, feijão e farofa.
Eis que era chegada a hora de retornarmos ao nosso lar. Despedimo-nos de todos, e já na Rua, para aproveitar a noite calorenta, resolvemos voltar caminhando. Assim fizemos.
Chegamos em casa, cavalheiro que sempre procurei ser tomei a frente, subi as escadas que davam acesso ao nosso apartamento, abri a porta e acendi a luz para que ela entrasse.
Ela colocou os pés no beiral da porta e soltou o mais horripilante dos gritos, que até então eu tivera oportunidade de ouvir sair de sua garganta. Assustado, olhei na direção do seu olhar que estava completamente estático, e a cena que deslumbrei não era das mais agradáveis para mim, que dirá para ela.
As paredes do corredor, que de grande ficaram ainda maiores, estavam cobertas, na sua totalidade, de baratinhas caramelentas e insinuantes.
Diante da sua recusa em entrar, fui obrigado a promover a maior carnificina (ou será baratificina?) tendo como arma mortífera uma vassoura de piaçaba.
Mesmo depois deste meu gesto corajoso, a madame não se dispôs a entrar no recinto, tive que entrar, buscar umas mudas de roupa e levá-la para a casa da sua tia onde ela disse que ficaria até que o apartamento fosse totalmente dedetizado.
Assim foi feito e meus bolsos, quase sempre vazios, depois dessa ocorrência ficaram ainda mais anêmicos.
Foi uma experiência nada BARATA!
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