Ano 1971, dezembro. Estávamos vivendo o penúltimo mês de nossa gravidez. O parto, já sabíamos, não seria natural. A torcida era para saber qual data o médico, Dr. Bianchi, iria marcar para promover a cesariana.
Eu e a Dona Cida tínhamos decidido, desde o nascimento da Renata, que os nomes de todos os nossos filhos, se acaso houvessem outros, seriam simples (não queríamos nomes compostos), e iniciariam pela letra R. Tínhamos corrido diversas listas de sugestões de nomes, listas do antigo INPS, em busca de nomes com a inicial escolhida.
Foi, então, que uma preocupação assomou a minha mente de pai dedicado. O nascimento se daria em janeiro, mês em que minha cidade aniversariava também. Se a cesariana fosse marcada para o dia 25, eu, em sã consciência, não iria poder manter o acordo e o nenê (não quisemos saber o sexo), não poderia ter seu nome iniciado por R.
Teria que, obrigatoriamente, chamar-se Paulo ou Paula, em homenagem à minha Sampa das 13 listas.
Eu, por minha vez, tinha resolvido, ainda, cantar a plenos pulmões, a marcha-rancho de autoria, se não me falha a memória, de João Pacífico e gravada por Nelson Gonçalves, intitulada Bandeira das Treze Listas, cuja letra, me lembro bem, era assim:
Abre a Bandeira das Treze Listas
E apresente ao Turista
Esta imensa São Paulo, gigante troféu.
Mostre atrás dessa bandeira,
A joia bem brasileira,
Cidade dos arranha-céus.
Abra os braços ao mundo inteiro,
E conte ao estrangeiro,
A historia dessa criança
Conte o seu passado de glorias
Conte por fim toda a história
Que é do Brasil a esperança.
Mostre atrás das terras meu sertão
Minha casinha de sapé
Mostre o ouro branco, nosso algodão,
O ouro verde o café
Mostre as nossas verdes matas,
Mostre o céu azul de anil.
Mostre o seu cartão de visitas,
Essa bandeira paulista,
Este São Paulo, Brasil.
Enfim, por ser feriado, o médico resolveu que a cesárea seria efetuada no dia 26 de janeiro, um dia depois do aniversário de Sampa, na tradicional Maternidade São Paulo.
Nossa filha nasceu e, de acordo com a combinação, foi batizada Roberta. Roberta Chammas.
Ela, com o passar dos anos, abominava a data de seu nascimento, porque era em pleno mês das férias escolares e, em suas festas, suas coleguinhas não apareciam e, lógico, menos presentes, ela abiscoitava, mas esta é outra lembrança e será relatada noutra ocasião.
E-mail: [email protected]