Minha mãe nasceu em Santo André. Seus pais tinham uma chácara onde sua mãe, minha avó, trabalhou muito cuidando dos afazeres domésticos e dos animais, como porcos, cabras, galinhas e uma horta, tinham também o pomar com árvores frutíferas. Em alguns dias do ano, os parentes de São Paulo, quando voltavam, levavam sacolas do que era produzido nessa chácara.
Quando minha mãe completou quinze anos, em 1940, contava que foi passar um tempo na capital para trabalhar com uma tia na indústria têxtil Matarazzo. Todos trabalhavam em alguma função nessa indústria, acredito que era a mais famosa dessa tão grande e hospitaleira cidade, onde recebe pessoas de todos os países do mundo, até os dias de hoje.
Nasci em 1951, na Avenida Paulista, hoje o centro financeiro da nossa querida São Paulo. Minha avó paterna e meus pais moravam na vila Buenos Aires. Foi nessa época que completei sete anos e fui para o primeiro ano escolar. Até hoje existe essa escola "Grupo Escolar Padre José de Carvalho" que fica na estrada de São Miguel.
Quando iniciei o alfabetizado, a escola era em galpões, onde cada ano escolar era em um bairro, alguns próximos de casa, outros muito longe. O governo resolveu construir um prédio onde reuniu todos os anos escolares, do primeiro ao quarto ano, onde tenho o orgulho de dizer que fiz parte da primeira da turma. Inauguramos a escola em 1962 (hoje ela é até o Ensino Médio).
Mudamos dessa vila para mais ou menos um quilômetro à frente, Rua João Fideles Ribeiro. Nesse lugar encontrei amiguinhos, com os quais brincava em terrenos baldios, que eram muitos, mas não ofereciam perigo nenhum.
Alguns quarteirões a frente estava a "Curva da Morte", assim chamada por ter muitos óbitos por atropelamentos, pois era uma curva fechada da estrada São Miguel, hoje já duplicada.
Tínhamos também bons vizinhos. Época boa aquela… Amizades verdadeiras, difícil de encontrar nos dias de hoje. Recordo-me de alguns. Do lado esquerdo de nossa casa havia uma família de imigrantes japoneses que mal falavam o português, senhor José, dona Aurora e dois filhos, Dona Cizuca, Dalía, Maria e Atcham. Do lado direito, uma família que veio da Bahia, senhor Floriano, dona Maria e três filhos. E muitos outros…
Toda família dos meus pais viveram em vários bairros de São Paulo, mas vou dar destaque ao mais conhecido. Acredito que até os dias de hoje há quem se lembre da "Farmácia Branco". Meu tio, Ângelo de Branco, farmacêutico muito conhecido no meio médico por décadas de dedicação a saúde do povo mais pobre da cidade. Nessa farmácia encontrava-se remédios de vários laboratórios e também fórmulas feitas por ele num pequeno laboratório dentro dessa farmácia. Meu tio foi muito perseguido por médicos da época por dar consultas sem custo. Seu conhecimento era enorme sobre muitas doenças e a fila de pessoas querendo conversar com ele era de dobrar quarteirão. Essa farmácia fica no Tatuapé.
Também não posso esquecer-me de mencionar uma padaria na Penha que levava meu nome, "Padaria Yara".
Minha avó paterna era "parteira", e trouxe ao mundo muitos paulistanos, assim como também meu irmão caçula. Eu já nasci no hospital "Eleonor Mendes de Barros", nome dado em homenagem ao governador Adhemar de Barros.
Apesar de hoje, com meus sessenta anos de idade eorar na interior, a maioria de meus parentes ainda vivem na segunda maior cidade do mundo, a tão amada "São Paulo da Garoa".
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