Evolução poética na música

Como mudam os costumes com o passar do tempo! Na vida aparecem novos valores, mas sem querer denegrir o moderno, às vezes me faz refletir sobre o passado, sem conseguir concluir, na verdade, se o ontem foi melhor que o hoje. Na música, por exemplo, que é onde o poeta retrata os costumes do dia a dia, pude notar algumas diferenças do ontem e do hoje e, confesso; não trocaria a beleza e o romantismo do passado pela impulsividade dos dias atuais. Na década de trinta, um homem apaixonado diria à sua amada mais ou menos assim: “Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa do Amor, por Deus escultura e formada com ardor da alma da mais linda Flor”. Ainda na década de 40, esse mesmo homem repetiria: “A Deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua costuma se embriagar. Nos seus olhos eu suponho, que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar”. Nos dourados anos 50, quando a vida parecia que já sofria uma transformação com o advento da Televisão para o Brasil, os rapazes se inspiravam em Tom Jobim para assediar sua paixão, dizendo: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa, num doce balanço a caminho do mar”. Roberto Carlos, nos anos 60, insiste em cultuar o amor dizendo o seguinte: “Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito, não é maior que o meu amor nem mais bonito”, e termina dizendo, ”Como é grande o meu amor por você!”. Tivemos ainda, nas décadas seguintes, frases do tipo: “Fonte de mel, olhos de gueixa; choque entre o azul e o cacho de acácias…, você é linda, mais que demais…” Dos anos 90 para cá, a coisa começa mudar. Ele, já nem tanto apaixonado, manda a ela a mensagem do amor perdido, dizendo: “Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz, mas já não há caminho pra voltar..”. Porém, vejam a diferença para os anos 2000! Num som alucinante, que mais parece um bate estaca, o jovem declara seu amor, mais ou menos assim: “Tchutcabum!…, Tchutcabum!…, Vem aqui com teu tigrão. Vou te jogar na cama e de dar muita pressão, vou passar cerol na minha mão…, Vou te aparar pela rabiola….” e por fim estamos ouvindo, o que de mais moderno hoje é usado como declaração de amor do jovem rapaz à sua eterna enamorada; “POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ, MINHA ÉGUINHA POCOTÓ”. Se ontem foi melhor que hoje, a conclusão é sua. E agora vou embora no meu alazão, pocotó, pocotó, pocotó. Tcháu mesmo, que esse negócio pega!<br><br>e-mail do autor: [email protected]