Amigos demoram a aparecer, mas quando surgem e são sinceros, jamais somem. Esta afirmação tem lógica. Eu já provei sua eficácia por diversas vezes, basta ver a quantidade de amigos que tenho.
Hoje, em especial, quero relembrar o começo de relacionamento com duas grandes amigas. A minha versão das "irmãs Cajazeiras".
Foi em abril de 2008, dia 2 para ser mais exato. Eu ainda prestava serviços a uma empresa religiosa na Avenida Cruzeiro do Sul, bairro de Santana.
Na parte da manhã, estava na empresa, trabalhando. Não me sentia tranquilo, parecia que um batalhão de formigas havia invadido todos os espaços de meu corpo, andavam e me incomodavam, eu já não conseguia ficar parado, mal podia prestar atenção ao monitor de meu computador que continuava ligado e me conectando com o mundo que se preparava para no começo daquela noite, durante uma festa maravilhosa, fazer o lançamento de um livro em que eu e mais uma gama enorme de outros paulistanos éramos os únicos autores.
Finalmente o livro de estórias paulistanas do site "São Paulo Minha Cidade", tão aguardado, seria lançado.
Eu me sentia honrado e estava bastante apreensivo. Não sabia como iria conseguir vencer as poucas horas que me separavam da solenidade. Só de pensar em ser recepcionado na Sala São Paulo e naquele espaço quase santificado e ser homenageado me fazia tremer de emoção.
Absorto em mil pensamentos estava eu quando, sem mais nem menos, na tela do monitor de meu computador aparece uma mensagem informando que eu acabava de receber um e-mail. Abri o dito cujo e me deparei com uma mensagem de uma autora do site. Eu só a conhecia pelo nome, por alguns textos dela e diversos comentários que ela havia feito em meus textos. Ela era a Margarida Peramezza, e me questionava sobre a festa. Como toda mulher, dando vazão à sua curiosidade, ela queria saber se eu iria à festa, a que horas eu iria, como ela poderia me reconhecer, seu eu sabia quem mais iria e tal e cousa e lousa e mariposa…
Usando de minha verve humorística, comecei a responder as perguntas e, ela, do outro lado, cada vez mais se agradava e ria. Passamos assim um bom tempo, até que eu, consultando o relógio, conclui que era chegado o momento de bater em retirada para me engalanar, pegar minha filha Renata, que seria minha companheira naquela noite e, enfim, ir à busca da grande solenidade.
Despedi-me da Margarida, prometendo fazer contato com ela tão logo chegasse ao local e fui cuidar de minhas obrigações.
Em casa, depois de um banho reconfortante e devidamente perfumado e engalanado, divinamente acompanhado fui à busca da fama.
Enfim, chegamos, eu e a Renata, em frente à Sala São Paulo. Nossa! As portas ainda estavam cerradas. Comentei: “Acho que chegamos um pouco cedo demais”. Alguns minutos depois, outros apressadinhos, como eu, foram chegando para me deixar um tanto mais confortado.
De repente, vejo encostar um carro no meio-fio e dele saírem algumas pessoas. Fixei o olhar e disse para minha filha: “Acho que uma dessas pessoas que estão chegando é a Margarida, que teclou comigo quase que a tarde inteira”. Na mosca, uma delas foi se aproximando de mim e perguntou:
– Você é o Miguel?
– Claro que sou eu, Dna. Margarida.
Pronto, contato feito e amizade sacramentada. Fui apresentado às irmãs, entre elas a Bernadete Pedroso, paulistana de coração e carioca de residência.
Entre abraços e piadas, começou ali amizade com as irmãs que eu carinhosamente apelidei de minhas irmãs Cajazeiras. Essa amizade nascida por causa do site e do livro, perdura e sedimenta-se cada vez mais. Graças a Deus!
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