Foi em 1953, a Corrida de São Silvestre ainda era promovida pela A Gazeta Esportiva, e já estava em sua fase internacional.
O horário da largada era o tradicional, hoje não mais respeitado, das 23 horas e o término, normalmente, era ao romper do novo ano.
Eu, na época com 13 anos, ouvia a transmissão pelo rádio e torcia muito, principalmente por que ao término da corrida começava a festa lá em casa.
Os champanhas espocavam, a velha melodia do “Adeus ano velho/feliz ano novo…” era cantarolada na minha casa e em toda a vizinhança. Os pratos salgados e doces tradicionais eram, então, servidos e a festança se prolongava até altas horas.
Naquele ano, o vencedor foi um maratonista Tcheco. Emil Zatopek ganhou a corrida com sobras e foi muito festejado.
Eu tinha um grande amigo de descendência tcheca, o nome: Romualdo Henrique Lancelotti Strychalsky ou apenas Aldo. Ouvi muitas histórias contadas por seu pai, o Sr. João.
O Aldo tinha uma tia, irmã do seu pai, casada com um homem financeiramente bem dotado. Moravam nos Jardins, tinham como veículo da família um Studbacker/50 preto com pneus de faixa branca e tudo.
Fazendo uns parênteses na narrativa confesso que anos depois, já com 17/18 anos, eu tomei muito Cuba-Libre patrocinados por dólares que o Aldo apanhava no cofrinho da tia e trocava nas antigas Casas de Câmbio.
Voltemos à história principal, depois da vitória do tcheco, o Aldo em uma de suas aparições lá em casa me avisou que no domingo seguinte nos iríamos (eu, ele e os tios) a uma recepção no Consulado Tcheco em homenagem ao Emil Zatopek.
Foi uma festança e nós nos sentimos verdadeiros lordes, chegamos ao Consulado no Studbacker preto, fomos recebidos com todas as pompas, comemos e bebemos do melhor (muito às escondidas, conseguimos experimentar uma verdadeira Vodka Tcheca e nos engasgamos pra valer).
Foi um domingo especialíssimo.
O Aldo, hoje residente lá no 2º. Andar deve estar sorrindo com minha lembrança.
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