Maternidade São Paulo: Já Era!

Deve estar nascendo uma nova safra de investidores, ávidos por adquirirem o pedaço mais valorizado, em termos financeiros, dos poucos terrenos que ainda teimam em ser “oásis”. Numa verdadeira e acirrada disputa pelo espaço do maior mercado imobiliário do Brasil, expandem seus tentáculos sobre a maior e mais cobiçada área geográfica de São Paulo, que é a região mais atraente em negócios imediatos pelas incorporadoras: a Avenida Paulista e suas imediações.
 
Um caso bem recente é, sem dúvida, o terreno da antiga Maternidade São Paulo, que encerrou suas atividades em 15 de setembro de 2003. Depois de dificuldades financeiras, foi arrematada em leilão no ano de 2006, por R$ 18,5 milhões, pela CasaBlanc Representações e Participações Ltda –  um dos negócios do banco Safra -, terminando um litígio para quitação dos débitos com os antigos funcionários e que teve como mediador o Tribunal Regional do Trabalho.
 
A instituição foi fundada em 1894, e dez anos após, a diretoria da Associação decidiu adquirir o terreno da Rua Frei Caneca, onde mais tarde foi construída a maternidade. Consta nos anais históricos da maternidade, que a mesma começou a funcionar na Rua Antonio Prado, atualmente Bráulio Gomes – médico idealizador da Associação Protetora da Mãe Pobre, com a colaboração do serviço feminino voluntário -, e transferido, em 1897, para a Ladeira Santa Ifigênia, em casa doada pela Baronesa de Limeira.
 
O prédio da maternidade, na Rua Frei Caneca, possuía 19 mil metros quadrados, com 15 pavimentos. Foi referência em obstetrícia e, chegou a possuir, em tempos áureos, 400 leitos e 1.200 servidores.
 
Os oficiais do TRT constataram que os documentos da instituição estavam "na sua maioria, em regular ou em mau estado de conservação" e "esparramados pelo chão, muitas caixas rasgadas". A Justiça determinou o envio de mais de 15 mil fichas clínicas, livros e documentos para o Arquivo Público do Estado, onde serão catalogados e guardados para a disposição pública de pesquisas gerais. Os móveis e instrumentos clínicos ficarão em depositário judicial “para garantir a preservação da história da obstetrícia do país”.
 
Termina assim, melancolicamente, mais um capítulo da história paulistana: com a desativação de mais um hospital, que foi referência em atendimento de excelência. Foi parte integrante da vida de muitos que nasceram na Maternidade São Paulo, nº 1245, na Rua Frei Caneca. Hoje, escombros “silenciam” sua história e que passa, doravante, a ser apenas referência de muitos, na alegria em ser paulistano!