MASP

A primeira vez que fui ao MASP foi com os meus pais, a minha irmãzinha e a minha prima, a Cidinha. Eu era pré-adolescente e não entendi nada daquele monumento de beleza, conhecimento e pura arte. No entanto, aquele espaço muito me provocou.
Comecei a retornar ao museu com enorme freqüência. Levei a amiga Ana Isabel e comprei, pela primeira vez, a revista Correiro da UNESCO, cuja matéria de capa tratava sobre a exploração do trabalho infantil no mundo.
E passei a tentar compreender a profundidade do pensamento daqueles artistas, a suavidade das cores, a complexidade das mensagens. Fiz um curso de Fundamentos da Arte Contemporânea ali e fui, de vagar, me tornando gente, valorizando sentimentos e paixão pelo saber, aliás, pra se tornar pessoa, algumas coisas são essenciais, como ler Frei Beto, Drummond, Cecília Meirelles, Vinícius de Moraes, ouvir o Chico Buarque e… Visitar o MASP. Li muito sobre o simpático fundador do museu, o sr. Pietro Maria Bardi e sua esposa Lina. Apresentei um trabalho sobre Pietro num curso de Italiano que fiz em Florianópolis, na sua forma e significado de montar o museu. A proposta do trabalho era apresentar um personagem de relevância na cultura italiana. Assim, tratei de apresentar o nosso Bardi para os estudantes daqui, falar do MASP, do grandioso acervo, de uma das formas de identificar São Paulo. Eu me lembro de uma entrevista da Lina Bo Bardi, quando dizia que, nos anos 20, quando era estudante de arquitetura na Universidade de Roma, teve uma militância anti-fascista e que "cada minuto de vida era sinal de grande vitória".
Todo ano quando visito a minha saudosíssima Sampa, me encontro no MASP com a minha amiga de 30 anos de feliz convivência, a Neusa Barbosa. E dali saímos a colocar a conversa em dia, resolvendo as saudades, caminhando pela Paulista. Isso é sagrado.
Hoje pinto telas, sobretudo paisagens. Quando, no ano passado, tive uma tela roubada fiquei felicíssima, contei para várias pessoas. Deixando essa bobagem de lado, sou muito grata àquelas portas sempre abertas que me incentivaram a ser pessoa.

e-mail da autora: [email protected]