Gente, sou do tempo que o “must” da tecnologia era um aparelho de televisão. A minha casa era ponto de encontro das famílias "de bem" lá da Parada, que iam todas as noites assistir à televisão lá em casa. No início eu não gostava muito não, era muita gente na sala e eu, desde pequeno, nunca gostei muito de aglomeração, por isso, a princípio, não me liguei muito nesta tal história de televisão. Mas conforme o tempo foi passando, a adolescência foi chegando e o número de "televizinhos" foi diminuindo, eu fui me acostumando ao dito cujo do aparelhinho.
Naquele tempo, por volta de 1964 ou 1965, tudo era feito ao vivo e sem cores, porque era ainda em preto e branco, e tinha naquela época as garotas propaganda, jovens belas de então, hoje já não tão belas e muito menos jovens, que com um sorriso amigo, nos intervalos dos programas, faziam o que chamávamos de “reclames” dos produtos do momento, o que hoje seriam os nossos comerciais.
Elas, as garotas propaganda, eram várias, mas as mais famosas foram a Marisa Sanches, a Neide Alexandre e a rainha delas todas: Idalina de Oliveira. Muito bem, em uma certa noite a Idalina estava fazendo o reclame da última novidade do momento, um sofá-cama da fábrica de móveis Bergamo (se a memória não me engana) que a um leve e suave toque do seu pé destrava e liberava sua parte inferior que, deslizando suavemente, formava uma confortável cama de casal, sem que a senhora, cara amiga, tivesse que fazer o mínimo esforço. Acontece que, na hora que o pezinho dela acionou a trava, a bendita não destravou e ela ficou lá, coitadinha, com aquela carinha de desespero. Tentou de novo e… nada. Ela educadamente disse:
– Sabe gente, às vezes eu não consigo ter a energia necessária.
E olhando para a coxia pediu:
– Alguém pode me ajudar?
E quem entra. O Arlindo. Não sei se vocês se lembram dele, mas o Arlindo era um sujeito enorme, de mais ou menos 1 metro e noventa, carecão, tipo de um faz tudo da Record naquele tempo, que claro com “pezinho delicado”, número 44, bico largo, conseguiu destravar tranquilamente o sofá. Passado o mico e retirando-se o Laurindo, Idalina olha para a câmera e delicadamente completa:
– Se isso acontecer em sua casa, cara amiga, peça ajuda ao seu esposo, de certo ele vai resolver”. Corta, corta. Que dureza “heim” Idalina!
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