O que mais se comenta hoje em dia é a falta do convívio que tínhamos em épocas passadas com as pessoas que moravam ao nosso lado, e quem sabe até na própria rua, que às vezes ou quase sempre tinha um valor tão grande, até mais que uma pessoa da nossa própria família. As justificativas da falta desse convívio são tantas que resumimos em "a correria do dia a dia".
Na Rua Felipe Camarão no Tatuapé, a nossa vizinha da esquerda era a dona Maria, Sr. José e duas filhas. A mais nova a Izildinha, arrumei emprego para ela no Banco, onde trabalhou até se casar. Atualmente viúva e com as duas filhas casadas continua morando na mesma casa sozinha. Engraçado, estando em Sampa no ano passado dei um pulo lá para visitá-la e encontrei a sua casa do mesmo jeito de cinco décadas atrás. Os mesmos móveis e no mesmo lugar de sempre, nada mudou. E como sempre, de todas as vezes que converso com ela vem o agradecimento de ter colocada a filha no Banco, que eu nem imagino o quanto que eu ajudei.
Ela conseguiu se formar, ter o seu carro e é casada com um marido muito bom e tem dois filhos. A mamãe gostava de gatos e a dona Maria de cachorros. Quando a mamãe vinha para o interior, ela se encarregava de alimentar os gatos e a dona Maria quando ia para Ourinhos visitar os parentes era a mamãe que cuidava dos cachorros. A vizinha da direita era a dona América (Japonesa) que vivia com um filho quarentão e solteiro. Nunca vi uma amizade tão grande entre as três, pareciam irmãs. Mais acima morava o Sr. Basílio e a dona Maria, que tinham uma filha surda-muda e um filho, Antonio Carlos. Eles tinham um comércio "armarinhos e papelaria".
Aos sábados saiam às 4h para fazerem feira na Água Rasa, onde hoje é a Av. Salim Fará Maluf, que era perto (era só descer a Rua Restinga). Quando mudei para Osasco, fui morar em um Apartamento "quatro por andar". Os vizinhos eram só “Bom dia, boa tarde e boa noite”. Se você abrisse a porta do elevador para algum deles entrar era somente obrigado. Subíamos e descíamos calados. Os vizinhos de parede com o nosso apartamento eram "crentes". Ela sempre de cara fechada, o marido já mais atencioso e três filhos. A maioria das vezes pela manhã aguardando o elevador, sai ela e os três filhos (um de colo) sempre atrasados, ao abrir a porta do elevador, entram correndo, não cumprimentavam e nem agradeciam. Meu filho de vez em quando na sacada do apartamento conseguia conversar com o menino dela que tinha, acredito eu, a mesma idade. Ficamos sabendo o seu nome "Pablo".
Quando me aposentei e preparava a minha mudança aqui para o interior, veio a surpresa. Deixei meus filhos em Sorocaba na casa de minha sogra e ficamos eu e minha esposa arrumando as coisas para a transportadora. Logo cedo já começaram a empacotar nossos pertences quando tocou a campainha. Era nossa vizinha (crente) dizendo que fez o almoço e que ficaria muito feliz se nós almoçássemos com ela antes de irmos embora, e que o marido e as crianças tinham saído. (acredito que era para termos mais liberdade). Não dá nem para explicar concordam comigo!
Aqui no interior o da esquerda é a Madalena, da direita é novo no pedaço, ainda não conhecemos, na esquina é a Maura e na outra esquina a Isabel (tem um comércio – varejão junto com o marido Gilberto). Em frente o Sr. Yamato da Cerejeira e das Jaboticabas. Ás 05h30 já estou em pé. Lavo as louças que ficaram da noite para o dia (adiantar o serviço da empregada), fervo a água para o café. Acordo a dona da pensão e o caçula. A perua passa as 06h15 para levar o caçula e a Elaine aproveita para tomar o café sentada no nosso jardim. A esposa do Sr. Yamato, a dona Elza, já está varrendo a frente da casa.
Às 06h30 abro o portão para a esposa ir para o trabalho e aproveito para bater um papo com o Sr. Yamato que está com sua Poodle na coleira para dar um passeio. O Marcio marido da Madalena que também está indo para o trabalho nos cumprimenta, o mesmo acontecendo com o vizinho do lado que sai com sua moto. Às 08h chega a enfermeira Dalva para cuidar da mamãe, trazendo o pão fresquinho da padaria do meu primo "Zé Estilingue". Reunidos na mesa eu, a mamãe, a Dalva e a Eliane para saborear o nosso desjejum. A conversa pega fogo, mas logo a Eliane diz que a conversa está muito boa, mas precisa ir lavar as roupas e completa "Sr. José aqui se ganha pouco, mas se diverte muito". O que será que ela quis dizer com isso! Vou ligar o meu "Lentium" para ver as notícias do SPMC. Abraços…
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