A morte de alguém famoso, celebridade artística, empresarial, política ou que de alguma forma ocupe a mídia noticiosa sempre nos pega de surpresa, principalmente se este alguém já tenha dividido conosco alguns momentos de nossas vidas. Não foi diferente comigo. Conheci Marcos Paulo desde muito pequeno pois, dividíamos os mesmos espaços da velha Rua Santo Antonio, no bairro do Bixiga. Éramos afastados por apenas um quarteirão da rua e nossas casas eram separadas por poucos passos.<br><br>Ator, diretor (de televisão, teatro e cinema), a carreira artística de Marcos Paulo (Marquinhos, para nós, seus amigos) iniciou-se a partir de seus cinco anos de idade e, aos 16, debutou em um folhetim da extinta TV Excélsior com "O Morro dos Ventos Uivantes". De lá para cá, não parou de representar e em seu currículo artístico, conta com mais de 30 representações como ator em séries e novelas, algumas delas de autoria de seu pai adotivo Vicente Sesso, como "Sangue do Meu Sangue", "Uma Rosa Com Amor", "Pigmaleão 70", dentre outras e de outros autores.<br><br>Contemporâneos que fomos (nascemos no mesmo ano de 1951), dividimos nossa amizade com outros garotos de nossa época e mantivemos saudável aproximação com nossas famílias. Marquinhos, a princípio, foi criado por sua avó, uma senhorinha muito simpática (não me recordo de seu nome) e morava na mesma casa de seu pai adotivo, porém em cômodos separados. Era uma casa característica, de construção antiga, com dois pavimentos. Marquinhos e a avó ocupavam os cômodos da parte de baixo e dividiam a vizinhança com um casal de idosos que eram os pais do também saudoso Agostinho dos Santos.<br><br>Por ironia, quis o destino que três representantes da cultura artística brasileira estivessem reunidos em um mesmo lugar. O Bixiga é um bairro que produziu artistas como Laura Cardoso, Agostinho dos Santos, o maestro Erlon Chaves, Suzana Vieira e tantos outros, alguns dos quais que, mesmo sem ter nascido no bairro, adotaram-no em suas vidas, como foi o caso de Adoniran Barbosa. A história artística de Marcos Paulo se confunde com a trajetória de seu pai, Vicente Sesso, que também começou nos palcos ainda criança, quando teve que substituir um ator mirim que viria da Itália, em uma peça que foi encenada em um teatro na Argentina. O gosto pelas artes cênicas Vicente herdou de seu pai, que sempre o levava para os teatros e por lá travaram muitas amizades.<br><br>Vicente Sesso produziu muitos títulos para a dramaturgia brasileira e um dos títulos que mais longevidade teve foi a novela "Sangue do Meu Sangue" que atingiu mais de 230 capítulos, escritos sem parceria com outro co-autor. Com a saúde debilitada por ocorrência de um câncer, Marquinhos talvez tenha se debilitado com o dinamismo de sua nova função, a de diretor de cinema, pois estava constantemente em viagens para o norte do país, mais precisamente para a Amazônia, em busca de locações para a sua nova película.<br><br>Nós, antigos meninos das ruas do Bixiga e hoje já adultos, e cada um com seu destino traçado e em qualquer lugar, assim como hoje, estou aqui no sertão baiano. Onde quer que estejamos, sentimos esta perda e nos unimos em sentimentos mútuos à família deste, que foi nosso amigo, companheiro e ídolo da dramaturgia brasileira. Marcos Paulo Sesso. Sua memória será preservada para a história da cultura do país. Deus receba o teu espírito e lhe reserve a glória do paraíso. <br><br><br>E-mail: [email protected]