Manézinho era uma das figuras mais conhecidas do bairro do Itaim Bibi. Seu nome de batismo era Nelson, mas quem o fosse procurar pelo nome real, ninguém sabia dizer de quem se tratava. Agora se alguém perguntava pelo Manézinho, ai à coisa mudava.<br><br>Seu ponto de partida para idas e vindas das jornadas noturnas era o Bar Star, na Rua Joaquim Floriano, esquina com a Rua Renato Pais de Barros. Ali ele discutia futebol e turfe, dois de seus esportes favoritos. Era corintiano fanático e estava cabreiro pelo fato do "timão" estar na fila sem ganhar títulos. Era motivo de muita gozação dos amigos como Claudio Dotti, e os demais amigos que torciam pelo Palmeiras e São Paulo, mas tudo isso ficava na boa amizade que ele tinha com o pessoal.<br><br>Em termos de turfe ele fazia questão de mostrar que sabia tudo, da mesma forma que entendia de futebol. Sabia o nome de proprietários de haras e Stud, locais onde os animais, ficavam alojados, e até as cores das fardas das fardas usadas pelos jóqueis ele sabia de cor. Tinha conhecimento dos jóqueis, como Pierre Vaz Luiz Gonzáles e José Alves que morou no Itaim, na Rua Bandeira Paulista. Estava sempre no jóquei, para jogar no páreo a páreo, e quando ia ao Pacaembu ver o seu Corinthians, fazia as suas acumuladas na agencia central do jóquei, na esquina da Rua Boa Vista com a Ladeira Porto Real.<br><br>Para ele o Corinthians na linguagem turfística era o Gualicho, cavalo campeão dos grandes prêmios São Paulo e Brasil no inicio dos anos 1950. Manézinho trabalhava na firma de moveis Artesanal, Rua Arnaldo (hoje Rua Bandeira Paulista) onde eu, o Mario Alimari e outros trabalhavam.<br><br>Em uma sexta feira do mês de setembro de 1964, o motorista da firma tinha uma entrega a fazer na cidade de Santos, e sabendo que Manézinho gostava de uma praia o convidou para ir com ele, que com a anuência do chefe, acabou aceitando e indo.<br><br>Depois de fazer a entrega, eles estavam na praia andando a beira do mar com água pela canela, quando Manézinho caiu em um buraco e quando subiu já estava roxo e morto, por um colapso cardíaco fulminante. Foi uma comoção no Itaim. Eu ainda não sabia do acontecido, quando minha irmã veio me dizer que o irmão de uma colega dela da Kopenhagen tinha morrido, e que ele era muito amigo meu. Disse que se chamava Nelson, e eu não me lembrava de ter algum amigo com esse nome. Mas quando ela se lembrou que as pessoas o chamavam de Manézinho me dei conta do amigo.<br><br>Já eram 13h30 daquele sábado e o enterro estava marcado para ás 15h. Ainda deu tempo de ir até a casa dele e ver pela ultima seu rosto castigado pelo colapso fulminante. Aproveitando uma carona do Zangari, fui ao cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, onde ele foi enterrado. <br><br>No ambiente de muita tristeza teve alguém que chegou a dizer:<br>- “Que coisa! Agora que o Corinthians vai se campeão o Mané foi morrer!”<br><br>Mas o Corinthians não foi campeão naquele ano, e ainda levou uma goleada de 7 a 4 do Santos, e o Manézinho se privou de mais uma raiva, daquelas que estávamos acostumados a ver no Bar Star. <br><br><br>E-mail: [email protected]