Mais uma do Sampa

Contei do meu amigo Sampa, que em pleno Massimo, negou-se a comer uma migalha sequer, embora tenha pago religiosamente a conta, pois achava ser vítima de um roubo no preço. Lembrei d’outra dele, que acho um pecado não relatar.

Foi por volta de 86, quando trabalhávamos numa grande agência de publicidade na Paulista.

Boa parte da turma tinha o hábito de tomar umas e outras, depois do expediente. Também, nosso Grande Chefe dava o exemplo, voraz consumidor do rico malte escocês. E onde ele ia, boa parte do pessoal ia atrás. Eu também, mas de quando em vez. Nunca fui um bom copo, e isto talvez tenha sido minha sorte.

Pela região, o bar da vez era o extinto Lua de Tomate, simples, mas espaçoso e cheio de charme, na Al. Santos. Queria encontrar a turma, after hours? Era lá mesmo.

Com o hábito, foi aumentando a freqüência, inclusive feminina. E o número de doses também.
Alguns acompanhavam o Grande Chefe até o fim, ou seja, pelas tantas da madrugada.

Eu costumava dizer que eles tinham o fígado de alumínio anodizado. No dia seguinte, tudo bem, como se nada tivesse acontecido. Era fantástico!

Certa vez, e nessa eu não estava presente, só soube do quiproquó no dia seguinte… à medida que se escoavam as horas – e os copos, os participantes da roda iam se retirando. Chegou um momento em que restaram só o Grande Chefe e o Sampa, amigos de muitos anos.

Mas dessa vez, haviam exagerado, e estavam meio que sem coordenação motora.
Um contato, percebendo a situação, chamou um táxi para conduzi-los a salvo para casa.
O Grande Chefe adormeceu, logo no início da corrida. Façamos agora um corte, como acontece no cinema. Corta!

De repente, êle acorda. Escuridão. O táxi está parado, no meio do nada. À frente, o motorista apontando um 38 para o Sampa, e este dizia, furioso:

– Atira, seu isto e aquilo… atira, que eu quero ver!

– Pelo amor de Deus, parem com isto!!!! – interveio o Grande Chefe. Dera-se o seguinte: ele dormira, mas o Sampa não. E implicara com o taxista, achando que ele estava roubando no percurso. O cidadão, PM fazendo bico de motorista, não hesitou em sacar o trezoitão, e sabe Deus o que teria acontecido, sem a intercessão desesperada do Grande Chefe.

Acalmados os ânimos, toca o carro para a casa do Chefão, que insistiu para que o Sampa passasse ali a noite. Este, porém queria voltar para a sua casa… e no mesmo táxi!

– Você está louco?! Este cara quase te deu um tiro!

– Mas já está tudo bem – declarou o bom Sampa – Nós já estávamos ficando quase amigos!

Pois é… amici miei!