Mais um ano sem Adoniran Barbosa

Não pode parar. Uma cidade cresce, acotovela-se, dobra-se sobre si mesma, e ao mesmo tempo alarga-se. O seu cantor caminha, acompanha-lhe os movimentos, viadutos e malocas. Mudam-se os tempos e as vontades. E o samba, este já não mora mais no Brás.
Neste último dia 23 de novembro… Completou-se mais um ano sem Adoniran Barbosa…

“O Arnesto nos convido
Prum samba
Ele mora no Brás
Nós fumo num incontremu ninguém…”

Foi com este lirismo interior que a 6 de agosto de 1910, em Valinhos, nasceu o sétimo filho de casal imigrantes de Treviso, Itália, registrado como João Rubinato. Na década de 20 já está instalado com a família em Jundiaí; em 1935 vem para São Paulo e vai morar na Ladeira Porto Geral. Porém, a partir de 1935, ele começa a encarnar sua máscara mais autêntica: Adoniran, nome de um amigo boêmio, mais Barbosa, o do Sambista carioca Luís Barbosa.
Em 1941 casa-se e passa a morar em uma pensão na Av. Senador Queiroz, e nesse mesmo ano notabiliza-se na Rádio Record como Barbosinha-Mal-Educado-da-Silva. Já no ano de 1955, lança novo personagem no programa escrito por Oswaldo Moles, para a Record, “Histórias das Malocas”, onde surge com o personagem de “Charutinho”, o malandro mal-sucedido do Morro do Piolho. Adoniran Barbosa, até então, possuía dezenas de composições, mas ainda nesse ano faz uma das canções que o imortalizou no cenário musical, transformando-o num Cidadão do Brás, o “Samba do Arnesto”.
Anos antes, precisamente em 1949, quando se casou pela segunda vez (Matilde era o nome dela), Adoniran Barbosa já havia conquistado a simpatia dos moradores do Brás, fundou o time de futebol dente-de-leite, no Parque D. Pedro II, com o nome de Barbosinha F.C. Em 1972, Adoniran Barbosa aposenta-se na Record e a 23 de novembro de 1983 morre de insuficiência cardíaca no quarto 503 do Hospital São Luiz.
As obras desse cantor e compositor, que só tinha o primário – incompleto- e nunca estudou música, são muitas.
Tanto é que sua contribuição à Música Popular Brasileira, onde “desenhava” o perfil dos moradores da Paulicéia, inclusive do Brás, fazem parte do Acervo do Museu Adoniran Barbosa.

”De lembranças guardo somente
suas meias
e seus sapatos…
Iracema, eu perdi o seu retrato…”

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