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Lembro-me bem da venda do "seu" Luizão, na esquina da R. Itacoarati com a R. Cinco de julho. Era lá que tínhamos a famosa caderneta, onde comprávamos o pão e leite fiado e só pagávamos no final do mês.

Uma vez fui comprar um litro de leite que vinha em uma garrafa de vidro e, quando comecei a subir a Itacoarati, tropecei na calçada e quebrei a garrafa. Não me machuquei, mas chorava só de medo de apanhar de minha mãe.

Em nossa rua havia uma família de japoneses que moravam de aluguel em uma das casas do "seu" Luizão. Éramos amigas da filha deles, a Fumiko, e nos divertíamos ao ver ela chegar na venda e pedir:
-“Firão um, ‘Machedônia’ dois"
Ela comprava um filão de pão e dois maços de cigarro Macedônia para os seus avôs.

Um dia a família da Fumiko mudou-se para o bairro da Saúde. Eu e minha irmã gêmea resolvemos fazer uma visita para eles, como tínhamos uma tia que morava no mesmo bairro. De lá fomos a pé até o Bosque da Saúde, fizemos uma visita rapidinha na casa da Tia Tita que perguntou se minha mãe sabia que estávamos lá e nós respondemos que sim.

Fomos para casa da Fumiko e ficamos brincando o dia inteiro. Quando resolvemos voltar, já era mais de 17h. Voltamos a pé novamente passando pelo Bosque que era totalmente escuro, mas não tínhamos medo.

Quando chegamos na nossa rua, tinha um batalhão de vizinhos da minha mãe ajudando a procurar as gêmeas que tinham desaparecido o dia todo.

Minha mãe já havia até chamado a rádio patrulha, foi quando uma amiga nos avisou e disse que nossa mãe estava desesperada.

Sabe o que fizemos? Escondemos-nos na casinha do registro de água da casa dela até as pessoas voltarem para suas casas. Quando tudo acalmou, lá pelas 20h nós fomos para nossa casa e, lógico, levamos uma bela surra!

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