Mãe de primeira viagem

Pegando carona nas estórias do Lopomo e Chammas, afirmo sem medo de errar que, mesmo tendo mais de um filho, a gente sempre é estreante.<br><br>Em 1968, ano em que meu filho mais velho nasceu, resolveu trocar o dia pela noite quando tinha aproximadamente seis meses – também pudera, morava perto da avó, tia, e mais um monte de amigos, casa hospitaleira e feliz. Barulhenta para um bebê. Conclusão: lembro-me que uma madrugada estendemos um cobertor sobre o tapete com muitos brinquedos em volta, assegurando-nos que não haveria nenhum perigo, e meu marido e eu fomos dormir.<br><br>Na noite anterior, havíamos levantado vinte e duas vezes, onze vezes cada, para tentar fazê-lo dormir no quarto ao lado. Hoje sei que fomos mais infantis do que ele, porque seria mais fácil colocá-lo entre nós na nossa própria cama. Mas os médicos, psicólogos, pedagogos, eram contra. Naturalmente, nunca tiveram que levantar vinte e duas vezes durante a noite.<br><br>Minha filha nasceu em 70, e ainda morávamos na Capote Valente. Subitamente, apresentou um quadro de bronquite no meio da madrugada, e felizmente foi a única vez. Àquela hora, a levamos ao Hospital São Camilo para ser atendida pelo pediatra de plantão, que achou que era cólica, dor de barriga. Quando foi buscar o medicamento, fugimos dali. Peito chiando = dor de barriga? Como podíamos discordar do pediatra. Novamente fomos infantis: não deveríamos ter fugido, deveríamos ter ficado e ter discutido, mas, na realidade, éramos jovens. Melhorou só de ter saído e a brisa entrado pela janela do carro.<br><br>Meu último filho nasceu em 84, já morando na Visconde de Porto Seguro. Meu marido com 41 anos e eu com 38, portanto, experientes pais de adolescentes. Recusei-me a levá-lo ao pediatra com quinze dias, não precisava, eu sabia. Recusei-me a complementar a mamadeira; tinha muito leite e queria amamentar em tempo integral. Mal ele se mexia já o colocava para mamar. A criança alimentada exclusivamente com leite materno seria muito mais forte. Além do que, assim, tão bem alimentado, era muito bonzinho. Dificilmente chorava, cercado de muito amor, carinho e leite materno. Conclusão: estava quase que subnutrido. Não chorava de tão enfraquecido.<br><br>O pediatra, Dr.Sergio Fagundes Rodovalho e sua fiel enfermeira, a tia Záza, deram-me uma tremenda merecida reprimenda: tem que complementar, sim. Felizmente, o Lippão ganhou peso em poucos dias. Estava eu com depressão pós-parto e achava que a experiência da minha mãe, quando me dizia para também dar leite de vaca, não valia. Eu também me julgava experiente e achava que deveria fazer prevalecer minha opinião. Pobre Lippão. Faminto Lippão.<br><br>e-mail do autor: [email protected]