Quem é sessentão como eu deve se lembrar do bom velhinho que todo fim de ano ficava na Loja das Bagunças (atual Preçolandia da Av. Álvaro Ramos). No final dos anos 50 até os anos 70, todo dezembro lá estava ele vestido a caráter e quando a Loja das Bagunças não o quis mais ele passou a ficar na famosa Casa Manilha, que ficava no comecinho da Av. Regente Feijó, quase em frente ao antigo Cine Vitória.<br><br>Para toda a garotada, ele sempre tinha uma "balinha" para dar e um carinho todo especial com aqueles que à época sabiam que seria difícil ganhar um presente de seus pais, operários das fábricas da região leste de São Paulo. Seu nome ninguém sabia, porém seu apelido era "Macaco" por ser muito peludo. Eu e outros garotos que o conheciam, por ele também frequentar o Clube Brazão da Rasa, só para lhe chatear, ao invés de chama-lo de Papai Noel gritávamos "Macaco".<br><br>Ele ficava fulo da vida e, apesar de nos reconhecer, jamais veio dar a bronca posteriormente. Só pedia para não chamá-lo pelo apelido, pois estragaria a sua condição de conselheiro para os moleques que iam pedir presentes no Natal e ele sempre gostava de instruí-los somente para fazerem o bem e quando adultos serem honestos e amigos de todos.<br><br>Foi uma lição de vida para nós, garotos do bairro, pois víamos nele um exemplo de humildade e compreensão. Faleceu no fim dos anos 90 e só deixou saudade para os hoje “sessentões” e “setentões” do bairro da Água Rasa. <br><br>Esta história foi tirada do site www.boleirosdaaguarasa.com, que está no ar desde 2005 e que conta tudo sobre o futebol do bairro e também tudo, desde que o bairro foi fundado até os dias atuais. São mais de 4.000 fotos contando em detalhes a verdadeira história do bairro. <br><br><br>E-mail: [email protected]